sábado, 8 de julho de 2017

Grupo de Estudos - FUNDAMENTOS DA CLÍNICA PSICANALÍTICA

Por Samara Megume*


O objetivo do grupo é estudar, debater e refletir sobre os textos fundamentais de Freud sobre o método e a técnica psicanalítica. Percorreremos 50 anos de reflexão clínica de Freud, acompanhando a constituição, desenvolvimento e desdobramentos da prática de intervenção psicanalítica.
O presente grupo surge dos estudos prévios dos Artigos Sobre Técnica – um conjunto de seis trabalhos de Freud, publicados entre 1911 e 1915, que se destinam a debater as questões relativas à prática clínica da psicanálise. Alguns desses artigos são realmente discussões aprofundadas de problemas técnicos em seus contextos teórico-clínicos, como os dois textos destinados ao conceito de transferência (“A Dinâmica da Transferência” “Observações sobre o Amor Transferencial”) e também “Recordar, repetir e elaborar”. Outros têm um caráter mais pronunciado de regras, conselhos, dicas e advertências (“Sobre o uso da Interpretação dos sonhos”, “Conselhos aos médicos” e “Sobre o início do tratamento”).
Alguns anos depois de publicar os seis artigos sobre a técnica, Freud escreveu uma carta a Ferenczi em que diz “Recomendações sobre a técnica, que escrevi há muito tempo, era essencialmente de natureza negativa” (Freud em carta a Ferenczi, 1928). Freud usa o terno “natureza negativa” para se referir ao fato de que muito mais do que expor a conduta correta (positiva) que o psicanalista deveria ter, esses trabalhos continham a preocupação de interditar ou dissuadir certos procedimentos entre analistas inexperientes e afoitos. Ou seja, muito mais do que dizer de forma rígida o que é ou não correto em psicanálise (pois existem muitas formas legítimas de proceder) os artigos se destinavam a apontar os “erros” e desvios da prática, que devem ser sempre evitados.
Ao longo da leitura dos Artigos sobre Técnica Freud deixa evidente as várias interdições feitas às condutas do psicanalista que põem em risco o campo essencial da psicanálise (uso abusivo da sugestão, furor interpretativo, furor em curar, uso/abuso narcisista e perverso do poder transferencial, etc). Todas essas orientações são condições fundamentais para cumprir a única regra fundamental da análise: a associação livre, por parte do analisando e a atenção flutuante, por parte do analista.
Na carta destinada a Ferenczi Freud esclarece que “tudo aquilo de positivo que alguém deveria fazer deixei ao tato”. No entanto, ele ainda escreve que “o resultado foi que os analistas obedientes não perceberam a elasticidade das regras que propus e se submeteram como se fossem tabus” (Freud em carta a Ferenczi, de 1928).  Após a publicação de seus trabalhos sobre técnica Freud percebe que embora fosse extremamente necessário circunscrever o campo técnico da psicanálise, demarcando bem as psicologias e demais tratamentos que estão fora dele, também se tornava necessário a construção de uma atitude crítica perante a teoria da prática clínica.
Os aspectos técnicos da psicanálise não deveriam se reduzir a regras prescritivas de conduta para o analista, a diferentes formas de proibição ou mesmo a modos “livres” de fazer análise. Existem pilares que consolidam a prática em psicanálise, mas esses não são prisões, instrumentos de repressão que - como nos mostra Freud - servem para inibir a capacidade de pensar e de criar.  Tendo em vista a tensão existente entre os pilares técnicos da psicanálise e a fundamental liberdade e autonomia do analista, buscaremos ampliar a discussão dos Artigos sobre Técnica, realizando a leitura e o debate dos demais trabalhos de Freud que tratam principalmente da Técnica Psicanalítica e da Teoria que a embasa.  Os textos reunidos vão de 1890 à 1940 onde abordaremos várias temáticas técnicas, que vão desde a associação livre, atenção flutuante, transferência, repetição, formação do analista, início e final de análise, passando ainda pela interpretação e construções analíticas.
O nosso estudo em grupo será guiado também pela compreensão de que há uma dimensão ética entrelaçada às diferentes proposições técnicas. Conduzidos pela ética iremos igualmente debater a posição do analista, visando ampliar suas possibilidades de escuta e intervenção.




TEXTOS DE FREUD

  •  (1890) – Tratamento Psíquico (ou Mental)
  •  (1900) Carta a Fliess 242 (16 de abril de 1900)
  • (1904 [1905]) O Método Psicanalítico Freudiano
  • (1905) – Sobre a PsicoterapiA
  • (1910) – Sobre a Psicanálise “Selvagem"
  • (1914) – Fausse Reconnaissance (Déjá raconté) No início do tratamento                        psicanalíticO
  • (1916-17) – Conferências Introdutórias. Conferencia XXVII – Transferência
  • (1916-17) – Conferências Introdutórias. Conferência XVIII – Terapia Analítica
  • (1919 [1918]) Caminhos da Terapia Psicanalítica
  • (1926) – A Questão da Análise Leiga. (Cap.V)
  • (1932) – Novas Conferências introdutórias sobre Psicanálise. Conferência XXXIV (Explicações Aplicações e Orientações)
  • (1937) – Análise Terminável e Interminável
  • (1937) – Construções em Análise
  • (1940) – Esboço de Psicanálise 


ENCONTROS
Horário: Sexta-feira (das 14 às 15h30)
Freqüência: quinzenal 
Investimento: R$150,00 (por mês)


INSCRIÇÕES
Realizar depósito bancário no valor da primeira mensalidade. Enviar o nome completo, profissão/atuação ou instituição de ensino, juntamento com o comprovante de depósito para o endereço de email: rodadepsicanalise@gmail.com 
Conta para depósito: Banco do Brasil: agencia: 3512-2 Conta corrente: 31479-X. CPF: 047.737.739-44

INFORMAÇÕES DE DÚVIDAS: (44) 99938 3542 






Samara Megume Rodrigues* é Psicanalista e psicóloga (CRP 08/18324), graduada em psicologia pela Universidade Estadual de Maringá. Possui Mestrado em Psicologia pela mesma instituição (na linha Epistemologia e Práxis em Psicologia). É idealizadora e coordenadora da Roda de Psicanálise: espaço de transmissão e formação, que oferece grupos de estudos, supervisão clínica e Formação em Psicanálise (em parceria com o GTEP do departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae). Seu interesse científico atual direciona-se aos seguintes temas: psicanálise, clínica psicanalítica, estética e processos de criação. Atua como analista, realizando atendimento clínico na cidade de Maringá

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