sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

PERCURSO NA FORMAÇÃO PSICANALÍTICA

Roda de Psicanálise oferece:


                FORMAÇÃO BÁSICA EM PSICANÁLISE 


Com os membros do GTEP – Grupo de Transmissão e Estudos de Psicanálise do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae

Objetivos: Oferecer um espaço de transmissão da psicanálise, onde o estudo cuidadoso da obra de Freud e dos pós-freudianos é considerado fundamental para criar uma base sólida para a intervenção clínica. Trabalhar os conceitos e operadores que fundamentam a clínica psicanalítica. Desenvolver a escuta clínica, levando em consideração a metapsicologia freudiana. Acompanhar e supervisionar o trabalho clínico dos alunos em formação. Criar um espaço crítico e questionador, confrontando a coerência interna do discurso teórico com a prática clínica.
 
Destinado a: profissionais com formação universitária – psicólogos, médicos ou de áreas afins – que tenham experiência clínica, estudos prévios em psicanálise e análise pessoal.

Conteúdo Programático: Seminários teóricos, teórico-clínicos e clínicos, que serão propostos pela equipe do GTEP, de acordo com a singularidade do grupo a ser formado.

Duração: quatro módulos de nove meses cada, perfazendo um total de 36 meses (4 anos).

Carga horária: 8 horas mensais

Sexta a noite - das 18: 30 às 22:00
Sábado pela manhã -  das 9:00 as 13:30

Inscrições abertas até dia 12 de Fevereiro de 2016

Documentos para a inscrição: 01 foto 3x4 atual; curriculum vitae; carta de intenção (breve descrição do trajeto profissional e da motivação para esta formação); comprovante de depósito da taxa de inscrição. 

Entrevistas: 4 e 5 de março 

Os documentos podem ser enviados digitalizados via email para rodadepsicanalise@gmail.com ou impressos via postal para o endereço:

Rua Neo Alves Martins n° 2999
Edifício Marquezini Trade Center, 13° andar.
Sala 134
Zona 03 – Maringá – PR
CEP: 87013-060 


N° de vagas: 16 


Processo seletivo: Entrevista individual e análise dos documentos.

EntrevistasOcorrerão entre os dias 04 e 05 de março de 2016. O  local e horário das entrevistas, assim como os resultados da seleção, serão comunicados por telefone. 


Taxa de inscrição: R$ 100,00
Via depósito bancário em nome de Aline Sanches e Isabelle Maurutto Schoffen
Caixa Econômica Federal
AG: 3849 
Conta Poupança: 1094-0 
Operação: 013  


Início do curso: 25 e 26 de março de 2016


Anuidade: Matrícula R$ 400,00* + 9 parcelas de R$ 400,00* 
*sujeito a reajustes





Sobre o Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae 
O Grupo de Transmissão e Estudos de Psicanálise – GTEP é formado por membros do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae responsáveis pela transmissão da psicanálise fora dos limites da cidade de São Paulo, desde 1989. Nosso objetivo é oferecer um percurso teórico clinico em psicanálise, que consideramos como parte essencial da formação psicanalítica, que concebemos como contínua, e permanente, requerendo constante trabalho de ampliação e reelaboração de conhecimentos, no interior do campo psicanalítico e no intercâmbio com áreas afins.  Para tanto pautamo-nos pela escuta psicanalítica, apoiada na transferência, e pelo referencial freudiano em seu rigor conceitual, consistência metodológica e princípios éticos. Esta transmissão é realizada através, fundamentalmente, do estudo dos textos freudianos.

Sobre o Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae 
Ativo desde 1985 é um espaço de formação, interlocução, produção de pesquisas e publicações dentro do movimento psicanalítico, através do exercício fecundo da transmissão de múltiplas experiências de trabalho clínico, de eventos públicos e de produção editorial, assim como do contato e intercâmbio com outros analistas, grupos, instituições e espaços psicanalíticos ou ligados à psicanálise. 
Para mais informações: www.sedes.org.br/Departamentos/Psicanalise

Sobre a Roda de Psicanálise: teoria, clínica e cultura 
Iniciada em 2013 na cidade de Maringá, é um espaço para pensar a (e por meio da) psicanálise as questões cotidianas, familiares, econômicas, sociais e culturais. Seu objetivo é proporcionar um espaço de interlocução e construção do pensamento psicanalítico com seus pares, na medida em que se compreende a formação em psicanálise como um processo contínuo e permanente. 


Observações: 
1) A formação não funcionará com menos de 80% de totalidade das vagas oferecidas. 
2) Os candidatos à formação serão submetidos a um processo de seleção e somente poderão se matricular aqueles que forem aprovados.
3) Os alunos da formação, para obter o certificado de conclusão, deverão: 
  • Frequentar no mínimo 80% das aulas; 
  • Apresentar trabalho de conclusão proposto pelo corpo docente; 
  • Cumprir as exigências propostas pela formação. 
4) O preço da anuidade está sujeito a reajustes. 



Coordenadoras: 

Aline Sanches
Isabelle Maurutto Schoffen
Samara Megume Rodrigues 

E-mail: rodadepsicanalise@gmail.com
Contato: (44) 9834-4281 /(44) 9938-3542 




segunda-feira, 23 de novembro de 2015

O TERCEIRO DO ÉDIPO NO SÉCULO XXI

A Roda de Psicanálise convida para a Conferência:

O TERCEIRO DO ÉDIPO NO SÉCULO XXI 


com  Elcio Gonçalves de Oliveira Filho membro do Grupo de Transmissão e Estudos de Psicanálise (GTEP) do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae



 O complexo de Édipo, conceito princeps e pilar fundamental de sustentação do sujeito freudiano, deriva do patrimônio histórico da humanidade, desde que a herança simbólica, transmitida entre gerações, difunde, com técnicas de controle e subjetivação, o domínio cumulativo sobre os bens, a sexualidade e o desejo, ordenados pela conflitiva entre a religião, o direito e a ciência, impondo ainda hoje questões sobre a filiação.
 No mito de origem do Édipo freudiano encontramos duas formas de organização familiar. Inicialmente a matrilinear, associada em seus sonhos, mas pouco condizente com a realidade daquele momento social, e a patrilinear, apropriada para um momento de cultura em que a repressão da sexualidade, e a renúncia a uma parcela de prazer, mantinha-se fiel aos interditos da monogamia, do incesto e do parricídio, e podia ser sustentada pela regulação do desejo, através da culpa e da sublimação, inscritas no laço social pela via do amor e do trabalho.
  De todo modo, e não certamente sem motivos, tanto no Édipo de Sófocles (430 a.C.) quanto no complexo freudiano (1910) verificamos ter ficado de fora um resto do crime de amor, de Laio por Crísipo, o que deu origem à proibição dos Deuses sobre o direito de Laio a procriar e formar família, e pelo qual, por sua transgressão ele pagaria com a própria vida, sendo morto pelo filho recusado – o Édipo em questão.    
 Em tempos nos quais as relações sexuais não mais determinam a filiação, e em que o gênero fisiológico poderá ou não ser confirmado, a depender da escolha do sujeito sexuado, e ainda num momento em que os casais homo e/ou poli parentais podem, mais do que ser reconhecidos juridicamente, reproduzir e escolher o sexo biológico de suas crias com os recursos da ciência: como pensar o complexo Édipo, desde o Mito a nossos dias, face às novas formas de subjetivação na cultura do mal estar?



Psicanalista convidado:
Elcio Gonçalves de Oliveira Filho - é Psicólogo Clínico pela PUC/SP e Psicanalista membro do GTEP (Grupo de Transmissão e Estudos de Psicanálise), do grupo Psicanálise e Contemporaneidade, do grupo Crenças, do Projeto Laborar (Atendimento clínico à saúde do trabalhador), articulador do Conselho de Direção do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae (gestão 2015-2016) e colaborador da Revista Percurso. 


DIA: 04 de dezembro (sexta)

HORÁRIO: 19:30

LOCAL: Auditório do Aspen Park Trade Center 5 andar


INVESTIMENTO:

Inscrições antecipadas
Profissionais: R$ 40,00
Estudantes: R$ 30,00 

Inscrições no dia 04/12
Profissionais: R$ 50,00
Estudantes: R$ 40,00 


INSCRIÇÕES ANTECIPADAS:
via e-mail mediante comprovante de depósito bancário
Ficha de Inscrição
Nome Completo:
E-mail:
Telefone:
Profissão:
Instituição:

Envie seus dados e comprovante de depósito pelo e-mail abaixo:
rodadepsicanalise@gmail.com


Dados para Depósito Bancário
Aline Sanches e Isabelle Maurutto Schoffen
Caixa Econômica Federal
AG: 3849
Conta poupança: 1094-0
Operação: 13



*OBS: Qualquer pessoa que tenha graduação já será considerada profissional para fins de inscrição no evento. 

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

A ATUALIDADE DA TRANSFERÊNCIA

A Roda de Psicanálise convida para a Conferência:

A ATUALIDADE DA TRANSFERÊNCIA 

com  Leonor Rufino membro do Grupo de Transmissão e Estudos de Psicanálise (GTEP) do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae







Psicanalista convidada

Leonor Rufino 


DIA: 23 de outubro de 2015

HORÁRIO: 19:30

LOCAL: Auditório do Aspen Park Trade Center 5 andar


INVESTIMENTO:


Inscrições antecipadas
Profissionais:  R$ 40,00
Estudantes:      R$ 30,00 

Inscrições no dia 23/10
Profissionais:  R$ 50,00
Estudantes:      R$ 40,00 


INSCRIÇÕES ANTECIPADAS: via e-mail  mediante comprovante de depósito bancário 

Ficha de Inscrição
Nome Completo:
E-mail:
Telefone:
Profissão:
Instituição:


Envie seus dados e comprovante de depósito pelo e-mail abaixo:
Dados para Depósito Bancário
Aline Sanches e Isabelle Maurutto Schoffen
Caixa Econômica Federal
AG: 3849
Conta poupança: 1094-0
Operação: 13

*OBS: Qualquer pessoa que tenha graduação já será considerada profissional para fins de inscrição no evento


Sobre o Grupo de Transmissão e Estudos de Psicanálise – GTEP
É formado por membros do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae responsáveis pela transmissão da psicanálise fora dos limites da cidade de São Paulo, desde 1989. Seu objetivo é oferecer um percurso teórico clínico em psicanálise, o que é parte essencial da formação psicanalítica e requer constante trabalho de ampliação e reelaboração de conhecimentos, no interior do campo psicanalítico e no intercâmbio com áreas afins.  Pauta-se pela escuta psicanalítica, apoiada na transferência, e pelo referencial freudiano em seu rigor conceitual, consistência metodológica e princípios éticos. Esta transmissão é fundamentada, sobretudo pelo estudo dos textos freudianos.




Contato: rodadepsicanalise@gmail.com / (44) 9938 3542

domingo, 9 de agosto de 2015

ÉDIPO E CASTRAÇÃO NA CLÍNICA E NA CULTURA

A Roda de Psicanálise convida para a Conferência:

ÉDIPO E CASTRAÇÃO NA CLÍNICA E NA CULTURA 

com  Fátima Milnitzky membro do Grupo de Transmissão e Estudos de Psicanálise (GTEP) do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae



A importância da revelação do inconsciente pelo complexo de Édipo nos é dada por dois fatos. Um deles é  a amnésia infantil na qual vivem, sob o efeito do recalque, os desejos infantis pela mãe. O outro fato é o recalque que incide sobre os desejos infantis, proibidos e incestuosos. As relações de amor e ódio que a criança estabelece com as figuras parentais constituem um acontecimento universal da infância, configurando o ponto de partida para ordenação do campo  da sexualidade humana. 
Abordar o complexo de Édipo é também ter que se defrontar com o complexo de castração. Tanto em Freud como em Lacan, o Édipo consiste na relação inicial que a criança estabelece com a mãe e na interdição que recai sobre essa relação – o complexo de castração. 
O cruzamento das passagens entre amor e desejo com saber e verdade se reúnem em Édipo Rei configurando a própria encruzilhada da tragédia. É pelo fato de Édipo ter querido saber que ele é um herói trágico. Seu desejo de saber sobre a verdade o leva ao cruzamento primordial da constituição subjetiva e da civilização fundada na interdição dos crimes do incesto e do parricídio.


Psicanalista convidada:

Fátima Milnitzky é psicóloga e psicanalista, mestre em Psicologia Clínica pela Universidade São Marcos, membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae e supervisora da Rede Clínica do Laboratório de Psicanálise Jacques Lacan do IPUSP. Organizadora e co-autora dos livros: “Desafios da Clínica Psicanalítica na Atualidade” e “Narcisismo: O Vazio na Cultura e a Crise de Sentido” e diretora da Coleção Debate Psicanalítico, Dimensão Editora.


DIA: 28 de agosto de 2015

HORÁRIO: 19:30

LOCAL: Auditório do Aspen Park Trade Center 5 andar


INVESTIMENTO:


Inscrições antecipadas
Profissionais:  R$ 40,00
Estudantes:      R$ 30,00 

Inscrições no dia 28/08
Profissionais:  R$ 50,00
Estudantes:      R$ 40,00 


INSCRIÇÕES ANTECIPADAS: via e-mail  mediante comprovante de depósito bancário 

Ficha de Inscrição
Nome Completo:
E-mail:
Telefone:
Profissão:
Instituição:


Envie seus dados e comprovante de depósito pelo e-mail abaixo:
Dados para Depósito Bancário
Aline Sanches e Isabelle Maurutto Schoffen
Caixa Econômica Federal
AG: 3849
Conta poupança: 1094-0
Operação: 13


Mais informações: 


Sobre o Grupo de Transmissão e Estudos de Psicanálise – GTEP
É formado por membros do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae responsáveis pela transmissão da psicanálise fora dos limites da cidade de São Paulo, desde 1989. Seu objetivo é oferecer um percurso teórico clínico em psicanálise, o que é parte essencial da formação psicanalítica e requer constante trabalho de ampliação e reelaboração de conhecimentos, no interior do campo psicanalítico e no intercâmbio com áreas afins.  Pauta-se pela escuta psicanalítica, apoiada na transferência, e pelo referencial freudiano em seu rigor conceitual, consistência metodológica e princípios éticos. Esta transmissão é fundamentada, sobretudo pelo estudo dos textos freudianos.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

A DESPEDIDA DA INFÂNCIA, SUAS DORES E SEUS LUTOS

por Aline Sanches*

No final da infância, a personalidade encontra-se relativamente estável: há autonomia em certas funções, as capacidades intelectuais e cognitivas desenvolvem-se progressivamente; a criança constrói crenças sobre o mundo onde os pais são as principais referências e a relação de dependência com estes é uma condição natural altamente satisfatória. Com a puberdade, modificações corporais se manifestam incontrolavelmente, acompanhadas de impulsos sexuais e agressivos que irrompem no mínimo contato com o outro. O recém-adolescente passa a estranhar a si mesmo, assim como estranhar as sensações que dele se apossam. Os imperativos do mundo externos também começam a se modificar e a exigir novos modos de convivência. Inicia-se uma fase de confusão, instabilidade e conflitos devido às perdas infantis. Lenta e dolorosamente, o adolescente caminha em direção à maturidade, oscilando entre progressos e regressões, ora responsável, ora totalmente dependente, ora carinhoso, ora agressivo. Seu corpo assemelha-se cada vez mais ao de um adulto, mas seu comportamento permanece infantil. Por não controlar e não conseguir produzir sentidos sobre as mudanças que ocorrem em seu corpo, o adolescente sente-se impotente e ansioso e defende-se através da intelectualização, que se expressa por meio de desejos de reformas políticas, sociais ou religiosas. Assim, compensa a insegurança relacionada ao corpo através de ideais de transformações do mundo, sem que necessariamente suas ações caminhem neste sentido e sem sentir-se agindo de forma contraditória quanto ao seu discurso e prática. Isto é possível porque sua imagem corporal está confusa, como se corpo e mente estivessem em diferentes ritmos de desenvolvimento. No entanto, estas experimentações intelectuais aos poucos vão se confrontando com a realidade e integrando-se, permitindo a aceitação do novo esquema corporal e a elaboração do luto pelo corpo infantil.
Apesar das expectativas e desejos de crescimento, é com tristeza que o adolescente despede-se dos tempos da infância. Há muito mais pesar pelo que está se perdendo do que alegria pelo advir, misterioso e incerto. Segundo Aberastury e Knobel (1981, 1983), as transformações corporais e psíquicas em que o adolescente encontra-se imerso se assemelham ao estado de luto: luto pelo corpo, pelos papéis e identidade infantil e pelos pais da infância.
A turma tem uma importância fundamental nesta fase: é um alívio descobrir no outro as mesmas estranhas transformações; os sentimentos de vergonha, medo, culpa e inferioridade diluem-se, ao mesmo tempo em que há uma discriminação dos adultos e a afirmação de uma identidade adolescente. A família e a turma tornam-se instâncias sociais rigidamente separadas, frente às quais o adolescente comporta-se de diferentes maneiras. Assim, enquanto a turma passa a ser um espaço de vazão das fantasias e ideais, dos impulsos amorosos e agressivos, a família continua sendo a maior representante do princípio de realidade, onde as oscilações de humor e de comportamento são incompreendidas e repreendidas. A separação entre estas duas instâncias é positiva, pois permite a experimentação de outros papéis e identificações. No entanto, pode levar a uma busca exagerada pela diferenciação dos pais e a adesão cega a qualquer forma identitária pregada pela turma.
Gradualmente o adolescente desvincula-se da relação de dependência com os pais, inicialmente de forma confusa e contraditória. Exige que seus pais sustentem a sua independência no mundo, o que é uma grande fonte de conflito. Decepcionado, afasta-se e isola-se, para elaborar a perda dos pais da infância. Surgem sentimentos de revolta que interferem ou mesmo interrompem a comunicação com os pais em alguns casos. Também os pais precisam elaborar a perda definitiva de seu filho criança. Muitos não aceitam o crescimento de seus filhos e agem inviabilizando qualquer possibilidade de autonomia do adolescente, “vivendo cada originalidade sua como sinal de dispersão e mesmo de desagregação familiar” (EIGUER, 1989, p.79). Assim como o adolescente inicialmente busca uma desvinculação de forma confusa e contraditória, também os pais podem exigir a independência dos filhos de forma ambivalente.
O desenvolvimento da vida e o crescimento impõe dores incontornáveis... Como sugere Drummond no poema Verbo Ser, difícil mesmo é conciliar CRESCER e SER.

Que vou ser quando crescer?
Sou obrigado a? Posso escolher? 
Não dá para entender. Não vou ser. 
Vou crescer assim mesmo.
Sem ser Esquecer.


*Aline Sanches é Psicóloga (UNESP/Assis), Psicoterapeuta (CRP-08/19679), Doutora em Filosofia (UFSCar) e Psicanálise (Paris 7).

sexta-feira, 10 de abril de 2015

SOBRE A PREMATURIDADE DO BEBÊ HUMANO

por Aline Sanches*

O bebê humano nasce sempre prematuro. Esta é uma das principais premissas da psicologia do desenvolvimento, que mostrará como uma espécie de “gestação” continua mesmo após o nascimento, necessária para que as funções cognitivas, neurológicas e psicológicas se estruturem adequadamente. Não só os órgãos motores e dos sentidos precisam amadurecer, mas é todo um aparelho psíquico, com seus circuitos de prazer e desprazer, que ainda precisa se formar.
Durante a vida intra-uterina, o bebê está firmemente sustentado pelo corpo da mãe e todas as suas necessidades são satisfeitas, sem haver qualquer noção de falta, de intervalo de tempo ou de espaço. O bebê não sabe o que é sentir frio, fome, desamparo ou solidão. A psicanálise, sobretudo com os autores pós-freudianos, desenvolveu uma serie de teorias para entender a vida psicológica e emocional dos primeiros meses de vida e mostrou que, longe da plenitude e paz que nos transmite a imagem de um bebê, este enfrenta uma espécie de teatro do horror, marcado por ansiedades persecutórias e vivências ameaçadoras.
Os desconfortos e dores advindos de sua impotência motora, de sua dependência da amamentação, de seu inacabamento anatômico e de sua insuficiência orgânica foram bastante explorados por Klein (1959) e Lacan (1938; 1949), que se utilizaram da expressão “corpo despedaçado” para se referir às sensações de desmembramento, de cair no vazio, de mutilação e evisceramento que assombram os pequenos. Sem ter ainda desenvolvida a sua capacidade simbólica, sem conseguir ainda distinguir entre um objeto real e um objeto alucinado, o bebê sente os desconfortos físicos da fome, do frio, das cólicas, do estar solto no berço, como desesperadoras ameaças de desintegração e de morte. Neste período, não há nenhuma distinção entre uma dor física e uma dor psíquica: assim, o alívio de um desconforto físico, como alimentar-se ou ter as fraldas trocadas é também um alívio mental, uma eliminação do desespero e da angustia. Se o bebê é cuidado por uma “mãe suficientemente boa” (aquela mãe comum que, segundo Winnicott, que não frustra demais nem de menos, que não satisfaz demais nem de menos), ele aos poucos vai se dando conta de que, mesmo diante da dor mais assustadora e insuportável, ele será socorrido, o seu sofrimento será dividido e aplacado e ele não será deixado só para lidar como puder com aquilo. “Ao se lembrar de como é ser confortado, o bebê começa a contar com seus próprios recursos mentais” (MILLER, 1992). Aos poucos, ele aprende a simbolizar o que antes era apenas “terror sem nome”: fome, solidão, fraldas molhadas e ciúmes, antes sensações indiscriminadas e assustadoras, agora tornam-se expectativas de seus objetos de satisfação correspondentes.
As implicações destes circuitos emocionais em formação são fundamentais para a vida psíquica e social futura, sobretudo no que se refere à capacidade de se recuperar das frustrações e dos momentos angustiantes da vida adulta. A despeito de algumas correntes psiquiátricas que defendem a etiologia dos distúrbios mentais baseado exclusivamente na genética e nas insuficiências neurológicas, a psicanálise insiste na importância dos cuidados nos primeiros meses de vida para a formação de um aparelho psíquico forte e saudável, apto a discriminar e a nomear dores e sofrimentos, podendo assim lidar com as experiências de prazeres e frustrações impostos pela existência.


*Aline Sanches é psicóloga (CRP 08/19679), professora e doutora em Filosofia e Psicanálise (UFSCar/Paris VII).

terça-feira, 7 de abril de 2015

A TRANSMISSÃO DA PSICANÁLISE E A FORMAÇÃO DO PSICANALISTA


A Roda de Psicanálise convida para a conferência:




A Transmissão da Psicanálise e a Formação do Psicanalista

com os membros do Grupo de Transmissão e Estudos de Psicanálise (GTEP) do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae

Psicanalistas convidados:

Elcio Gonçalves é especialista em Psicologia Clínica pela PUC/COGEAE e psicanalista membro e articulador do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, através do qual coordena Seminários de Formacão em Psicanálise pelo Grupo de Transmissão e Estudos de Psicanálise (GTEP) e é interlocutor do Grupo de Pesquisa: “Psicanálise e Contemporaneidade” e membro do Grupo de Pesquisa e Intervenção: “Crenças e a Constituição do Sujeito Psíquico”.

Fátima Milnitzky é psicóloga e psicanalista, mestre em Psicologia Clínica pela Universidade São Marcos, membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae e supervisora da Rede Clínica do Laboratório de Psicanálise Jacques Lacan do IPUSP. Organizadora e co-autora dos livros: “Desafios da Clínica Psicanalítica na Atualidade” e “Narcisismo: O Vazio na Cultura e a Crise de Sentido” e diretora da Coleção Debate Psicanalítico, Dimensão Editora.


DIA: 24 de abril de 2015

HORÁRIO: 19:30

LOCAL: Auditório da PUC/Maringá

INVESTIMENTO: R$ 40,00

INSCRIÇÕES ANTECIPADAS: via e-mail  mediante comprovante de depósito bancário 

Ficha de Inscrição

Nome Completo:
E-mail:
Telefone:
Profissão:
Instituição:

Envie seus dados e comprovante de depósito pelo e-mail abaixo:
rodadepsicanalise@gmail.com

Dados para Depósito Bancário

Aline Sanches e Isabelle Maurutto Schoffen
Caixa Econômica Federal
AG: 3849
Conta poupança: 1094-0
Operação: 13

Mais informações: 

http://www.rodadepsicanalise.com.br/
https://www.facebook.com/rodadepsicanalise



Sobre o Grupo de Transmissão e Estudos de Psicanálise – GTEP 
É formado por membros do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae responsáveis pela transmissão da psicanálise fora dos limites da cidade de São Paulo, desde 1989. Seu objetivo é oferecer um percurso teórico clínico em psicanálise, o que é parte essencial da formação psicanalítica e requer constante trabalho de ampliação e reelaboração de conhecimentos, no interior do campo psicanalítico e no intercâmbio com áreas afins.  Pauta-se pela escuta psicanalítica, apoiada na transferência, e pelo referencial freudiano em seu rigor conceitual, consistência metodológica e princípios éticos. Esta transmissão é fundamentada, sobretudo pelo estudo dos textos freudianos.

Sobre o Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae
Ativo desde 1985 é um espaço de formação, interlocução, produção de pesquisas e publicações dentro do movimento psicanalítico, através do exercício fecundo da transmissão de múltiplas experiências de trabalho clínico, de eventos públicos e de produção editorial, assim como do contato e intercâmbio com outros analistas, grupos, instituições e espaços psicanalíticos ou ligados à psicanálise.