segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Grupo de Estudos - Os Artigos Técnicos de Freud

A Roda de Psicanálise oferece grupo de estudos sobre a técnica analítica:


Os “Artigos sobre técnica” são compostos de seis escritos de Freud entre os anos de 1911 a 1915. Trata-se de uma detalhada exposição e problematização da técnica psicanalítica. O objetivo deste grupo de estudos é fazer uma leitura atenta e cuidadosa desses trabalhos e promover reflexões críticas acerca da interdependência entre o arcabouço teórico da psicanálise e a sua prática. A psicanálise é um campo de saber, uma psicopatologia, um método de investigação dos fenômenos psíquicos e, fundamentalmente, uma prática de intervenção clínica. Entendemos que o diálogo entre esses elementos é necessário para o fazer e a escuta do analista.
 A psicanálise propõe um encontro entre duas pessoas, atravessado pelos fenômenos inconscientes, a transferência e a resistência. Freud elaborou certo número de regras destinadas a tornar esse encontro possível. Longe de impor normas rígidas ele fez orientações e problematizações sobre a conduta do analista e a condução da análise.  Tais problemas constituem um centro de controvérsias até os dias atuais, carregando o peso da interrogação sobre os laços recíprocos entre teoria e prática. Buscaremos na leitura dos “Artigos sobre Técnica” adentrar esse campo de discussão.
 Freud (1913)[1] compara as regras da psicanálise ao jogo de xadrez, assim ele diz:

Quem desejar aprender nos livros o nobre jogo de xadrez logo descobrirá que somente as aberturas e os finais permitem uma descrição sistemática exaustiva, enquanto a infinita variedade de movimentos após a abertura desafia tal descrição. Apenas o estudo diligente de partidas dos mestres pode preencher a lacuna na instrução. As regras que podemos oferecer para o exercício do tratamento psicanalítico são sujeitas as limitações parecidas (FREUD, 1913, p.164)

Freud (1913) contrapõe a estabilidade da regra à imprevisibilidade das movimentações inconscientes. Neste jogo, em que convivem os paradoxos, torna-se essencial construir um estilo singular de trabalho.  No entanto, essa construção só é possível pelo estudo dedicado aos fundamentos dos mestres. No percurso de nossa leitura e discussão em grupo buscaremos os pilares de sustentação da escuta e da intervenção psicanalítica.


Roteiro de leituras
- O uso da interpretação dos sonhos na Psicanálise (1911)
- A Dinâmica da Transferência (1912)
- Recomendações ao médico que pratica a Psicanálise (1912)
- O início do Tratamento (1913)
- Observações sobre o Amor de Transferência (1915)


PÚBLICO: Profissionais da área psi e estudantes de Psicologia 
HORÁRIO: Sexta-feira (das 15h às 17h).
FREQUÊNCIA: Quizenal
INVESTIMENTO: R$150,00 (por mês, 2 encontros)
INSCRIÇÃO: Realizar depósito em conta bancária, com o valor da primeira mensalidade. Enviar o nome completo, profissão/atuação ou instituição de ensino para o endereço de email: rodadepsicanalise@gmail.com 
Conta para depósito: Banco: SICOOB. Agência: 4340 Conta: 82.475-5
INFORMAÇÕES E DÚVIDAS: (44) 9938 35 42 e (44) 9118 6069


*Samara Megume Rodrigues (CRP – 08/18324) é Psicóloga pela Universidade Estadual de Maringá. Mestre em Psicologia (Epistemologia e Práxis em psicologia pela mesma instituição). Trabalha em consultório particular, realizando atendimento em psicanálise. É coordenadora e idealizadora da Roda de Psicanálise.
**Isabelle Maurutto Schoffen (CRP -08/17708) é Psicóloga pela Universidade Estadual de Maringá. Mestre em Psicologia (Epistemologia e Práxis em psicologia pela mesma instituição). Atua na área da Saúde Pública e em consultório particular. É coordenadora e idealizadora da Roda de Psicanálise







[1] FREUD, S (1913). O início do Tratamento, in: Obras Completas vol.10.  São Paulo: Companhia das Letras, 2010. 

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Escutar os silêncios

*Por Samara Megume Rodrigues 



O silêncio tem uma grande importância para a psicanálise, principalmente na prática clínica. Ele não se refere apenas à ausência de palavras, mas é um estado afetivo que comunica, recusa, insinua. Há sempre um silêncio a ser evitado: no primeiro encontro, no círculo de amigos, no trabalho e na família. Ele é temido. O psicanalista não pode ter medo do silêncio. Porque além de ser um material de trabalho ele é uma técnica de intervenção clínica.

O silêncio é nosso estado primeiro, em torno do qual as palavras gravitam. A figura do vazio. Faz-se vida com o verbo, que passa a dar formas e contornos à existência. O silêncio também é nosso estado último. A morte é aquilo que cessa a produção de novas palavras no sujeito. Talvez seja esse um dos motivos pelos quais hoje as pessoas queiram escutar tudo, menos o silêncio. Esperar em silêncio, comer em silêncio e até ler são situações cada vez mais raras. O vazio é inundado pela tecnologia informatizada, que promete nos preencher plenamente. A televisão ligada na hora de dormir ou o celular que insiste em tocar musicas barulhentas em situações de pausa ou repouso. O consumo desses bens não vai nos livrar de nossa finitude, dos limites frágeis e silenciosos de nossas vidas. Esse barulho extremo é apatia. Esse grito pode ser falta de voz.

O silencio gera medo não apenas por ser esse estado além ou aquém do humano. Mas também porque ele porta as palavras proibidas, censuradas e rejeitadas. O sintoma no corpo é uma forma de dizer o que se calou. Novamente os bens de consumo, principalmente os fármacos, se tornam estratégias para emudecer. Igualmente, usa-se várias palavras para encobrir, ocultar. É preciso muita tagarelice para enterrar os ditos proibidos. Em muitos momentos da análise o silêncio anuncia a entrada em um território no qual o sujeito não quer pisar. “Eu não tenho nada a dizer”: são as portas que tapam o negado, o recalque – o que foi silenciado.
No texto “Tratamento Psíquico (ou anímico)”, Freud (1905a) escreve sua descoberta do poder das palavras, sobre como sua representação se articula ao corpo. O afeto é testemunha dessa articulação. Assim escreve:

O leigo por certo achará difícil compreender que as perturbações patológicas do corpo e da alma possam ser eliminadas através de “meras” palavras. Achará que lhe estão pedindo para acreditar em bruxarias. E não estará tão errado assim: as palavras de nossa fala cotidiana não passam de magia mais atenuada. Mas será preciso tomarmos um caminho indireto para tornar compreensível o modo como a ciência é empregada para restituir às palavras pelo menos parte de seu antigo poder mágico (Freud, 1905, p.271)

O encanto das palavras reside no fato de impactarem no corpo e na cultura. A linguagem enlaça os seres humanos, “[...] por isso já não soa enigmático afirmar que a magia das palavras pode eliminar os sintomas patológicos, sobretudo aqueles que se baseiam justamente nos estados psíquicos” (Freud, 1905, p.279). As palavras nos tiram da animalidade. Por meio delas nos tornamos sujeitos, adentramos a civilização.
A experiência de análise se funda em um trabalho de nomeação.  Ou seja, a entrada na análise é a saída do silêncio. A psicanálise é um saber falar, Talking Cure, mas também é um saber escutar e um saber ver. Não as palavras do analista (isso seria sugestão), mas as próprias palavras, aquelas recusadas. O analista empresta seu corpo para que elas falem, para que falhem: esquecimentos, lapsos, duplos sentidos, chistes, sonhos. As formações do inconsciente são provas de que as palavras silenciadas insistem em serem escutadas.
 Freud (1898) no texto “Sobre o mecanismo de esquecimento psíquico” não encontra palavras para nomear o afresco de Orvietto – o esquecimento de Signorelli. Diante desse vazio mnêmico ele constrói a compreensão da existência de uma outra lógica em nossa vida psíquica, em que imperam leis particulares, diferente das que dominam na consciência. Há algo em nós que tende ao apagamento e nossos saberes nos escapam.
Clarice Lispector (1996) em seu conto chamado “Silêncio” diferencia dois tipos dele: o grande silêncio e o pequeno. Ela nomeia como grande silêncio esse estado último, sem lembranças de palavras. Assim ela diz:

É um silêncio que não dorme: é insone: imóvel mas insone; e sem fantasmas. É terrível – sem nenhum fantasma. Inútil querer povoá-lo com a possibilidade de uma porta que se abra rangendo, de uma cortina que se abra e diga alguma coisa. Ele é vazio e sem promessa. Se ao menos houvesse o vento. Vento é ira, ira é a vida. (p.73)

É preciso quebrá-lo para que a vida se faça. É o silêncio da impossibilidade dos verbos, do trauma, do luto por fazer, do corpo, da dor que não pode ser simbolizada e se tornar sofrimento. Assim “Quando este se apresenta todo nu, nem é comunicação, é submissão. Pois nós não fomos feitos senão para o pequeno silêncio” (Lispector, 1996, p.76). Ao final do conto ela escreve sobre outro tipo e silêncio, o pequeno. É um silêncio que existe na e pela vida. O pequeno silêncio é necessário, pois é impossível tudo dizer. Ele é a falha, o tropeço e também portador do silenciado. Lispector (1996) continua a falar deste “Depois de uma palavra dita. Às vezes no próprio coração da palavra. Os ouvidos se assombram, o olhar se esgazeia – ei-lo. E dessa vez ele é fantasma” (p.76).
O silêncio que é o limite, o silêncio que é recalcado é povoado de fantasmas. Como já anunciei, o psicanalista não recua diante da cena muda. Freud, diferentemente de Breuer, decide enfrentá-la – é o que acontece na transferência.
O silêncio é uma atitude técnica, que é usada em muitos momentos para “invocar fantasmas”. Quem sofre dirige suas palavras àquele que o escuta. A não resposta do analista, seu silêncio, remete o sujeito a suas origens inconscientes, aos alicerces arcaicos do amor. Mas é preciso lembrar que essa atitude técnica não é indicada para todos os casos ou em todos os momentos da análise. Há silêncios que são improdutivos. O silêncio é ambíguo e nisso reside saber usá-lo. Há fantasmas mais difíceis de serem suportados. Para isso temos que construir uma base sobre a qual analista e analisando possam pisar antes de enfrentá-los. É preciso enfatizar que as vezes a “interpretação” do analista, seu excesso de explicação nada mais faz do que tentar enjaular os monstros, silenciando novamente o que pulsa.
Freud (1905b) ao estudar os chistes, os ditos espirituosos, que são espécies “brincadeiras verbais” formadas por conteúdo inconsciente, escreve que esses são formados involuntariamente. “Não acontece que saibamos, um momento antes, que chiste vamos fazer, necessitando apenas, vesti-lo em palavras” (Freud, 1905b, p.158). Sobre a relação do inconsciente com as palavras, Freud (1905b) oferece a imagem de que  a palavra é a roupa das coisas. Nesse sentido, em uma análise, precisamos nos despir, deixar que se revele. O silêncio do analista é o que dá suporte às associações. É o que sustenta a figuras projetivas. Como nos lembra Alonso (1988) a psicanálise inaugura o campo da escuta, produzindo uma verdadeira ruptura epistemológica concernente a psiquiatria da época. “Diria então que, do lugar do analista, se escuta tudo, para poder escutar alguma coisa. Coisa essa que é o inconsciente, que no seio da repetição insiste para ser escutado, que na trama dos movimentos imaginários, se disfarça, se fantasia e, no entanto, vai tecendo o fantasma” (p.21-22).
O silêncio modifica as demandas, a cada momento. Nesse sentido ele é uma espécie de morte. Quando silenciamos o disfarce fazemos falar o silenciado, ressignificamos nossas perdas. Morremos várias vezes, para fazer re-viver novos sentidos, novas palavras.



*Samara Megume Rodrigues é psicóloga clínica, analista em formação. Possui mestrando em Psicologia (PPI/UEM). É idealizadora e colaboradora da Roda de Psicanálise



Referências Bibliográficas

ALONSO, S, L. (1988) A escuta psicanalítica. Revista Percurso. N;1 Vol.1. São Paulo
FREUD, S. (1898) O mecanismo psíquico do esquecimento. In:____Obras Psicologicas Completas de Sigmund Freud. Vol.III. Rio de Janeiro: Imago, 2006.
FREUD, S. (1905a) Tratamento Psíquico (ou anímico). In:____Obras Psicologicas Completas de Sigmund Freud. Vol.VII. Rio de Janeiro: Imago, 2006.
FREUD, S. (1905b). Os Chistes e sua relação com o inconsciente In:____Obras Psicologicas Completas de Sigmund Freud. Vol.VIII. Rio de Janeiro: Imago, 2006.
LISPECTOR, C. (1996).  Silêncio. In: Onde estiveres de noite. Rio de Janeiro: Rocco. 

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Encarnação Involuntária



Clarice Lispector




      As vezes, quando vejo uma pessoa que nunca vi, e tenho tempo para observá-la, eu me encarno nela e assim dou um grande passo para conhecê-la. E essa intrusão numa pessoa, qualquer que seja ela, nunca termina pela sua própria auto-acusação: ao nela me encarnar, compreendo-lhe os motivos e perdôo. Preciso é prestar atenção para não me encarnar numa vida perigosa e atraente, e que por isso mesmo eu não queira o retorno a mim mesmo.
      Um dia no avião…ah, meu Deus – implorei – isso não, não quero ser essa missionária!
Mas era inútil. Eu sabia que, por causa de três horas de sua presença, eu por vários dias seria missionária. A magreza e a delicadeza extremamente polida da missionária já haviam me tomado. É com curiosidade, algum deslumbramento e cansaço prévio que sucumbo à vida que vou experimentar por uns dias viver. E com alguma apreensão, do ponto de vista prático: ando agora muito ocupada demais com os meus deveres e prazeres para poder arcar com o peso dessa vida que não conheço – mas cuja tensão evangelical já começo a sentir. No avião mesmo percebo que já comecei a andar com esse passo de santa leiga: então compreendo como a missionária é paciente, como se apaga com esse passo que mal quer tocar o chão, como se pisar mais forte viesse prejudicar os outros. Agora sou pálida, sem nenhuma pintura nos lábios, tenho o rosto fino e uso aquela espécie de chapéu de missionária.
      Quando eu saltar em terra provavelmente já terei esse ar de sofrimento-superado-pela-paz-de-se-ter-uma-missão. E no meu rosto estará impressa a doçura da esperança moral. Porque sobretudo me tornei toda moral. No entanto quando entrei no avião estava tão sadiamente amoral. Estava, não, estou! Grito-me eu em revolta contra os preconceitos da missionária. Inútil: toda a minha força está sendo usada para conseguir ser frágil. Finjo ler uma revista, enquanto ela lê a Bíblia.
      Vamos ter uma descida curta em terra. O aeromoço distribui chicletes. Ela cora mal o rapaz se aproxima.
       Em terra sou uma missionária ao vento do aeroporto, seguro minhas imaginárias saias longas e cinzas contra o despudor do vento. Entendo, entendo. Entendo-a, ah, como a entendo e ao seu pudor de existir quando está fora das horas em que cumpre sua missão. Acuso, como a missionariazinha, as saias curtas das mulheres, tentação para os homens. E, quando não entendo, é com o mesmo fanatismo depudorado dessa mulher pálida que facilmente cora à aproximação do rapaz que nos avisa que devemos prosseguir viagem.
      Já sei que só daí a dias conseguirei recomeçar enfim integralmente a minha própria vida. Que, quem sabe, talvez nunca tenha sido própria, se não no momento de nascer, e o resto tenha sido encarnações. Mas não: eu sou uma pessoa. E quando o fantasma de mim mesma me toma – então é um tal encontro de alegria, uma tal festa, que a modo de dizer choramos uma no ombro da outra. Depois enxugamos as lágrimas felizes, meu fantasma se incorpora plenamente em mim, e saímos com alguma altivez por esse mundo afora.
      Uma vez, também em viagem, encontrei uma prostituta perfumadíssima que fumava entrefechando os olhos e estes ao mesmo tempo olhavam fixamente um homem que já estava ficando hipnotizado. Passei imediatamente, para melhor compreender, a fumar de olhos entrefechados para o único homem ao alcance da minha visão intencionada. Mas o homem gordo que eu olhara para experimentar e ter a alma da prostituta, o gordo estava mergulhado no New York Times. E meu perfume era discreto demais. Falhou tudo.

 clispector assinatura

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Aniversário do Freud

Sigmund Freud nasceu em 6 de maio de 1856, na região da Morávia, atualmente parte da República Tcheca, mas àquela época parte do Império Austríaco. Hoje comemoramos 160 anos de seu nascimento. 

Freud não é apenas o pai da psicanálise, mas o fundador de uma forma completamente singular e inédita de produzir ciência e conhecimento. Ele reinventou o que se sabia sobre o ser humano, instaurando uma ruptura com toda a tradição do pensamento ocidental, a partir de uma obra em que o pensamento racional, consciente e cartesiano perde lugar exclusivo e de valor prioritário. Seus estudos sobre a vida inconsciente realizados ao longo de toda sua vasta obra, são hoje referência obrigatória para a ciência e para a filosofia contemporânea. Sua influência no pensamento ocidental não cessa de ampliar seu alcance, dialogando com e influenciando as mais variadas áreas do saber, como a filosofia, as artes, a literatua, a teoria política e as neurociências.


Filho de Jacob Freud e de sua terceira esposa, Amália Freud, Sigmund teve nove irmãos, dois do primeiro casamento do pai e sete do casamento entre seu pai e sua mãe. Era o filho mais velho de oito irmãos e era sabidamente adorado pela mãe, que o chamada de "meu Sigi de ouro"

Em 1860, Jacob Freud, comerciante de lã, mudou-se com a família para Viena, cidade onde Sigmund Freud residiria até perto do fim da vida, quando teria de se exilar em Londres, fugindo da perseguição nazista. De família pobre, formou-se em medicina em 1882. Divido a problemas financeiros, decidiu ingressar imediatamente na clínica médica em vez de se dedicar à pesquisa, uma de suas grandes paixões. à medida que se estabelecia como médico, pôde pensar em propor casamento para Martha Bernays. Casaram-se em 1886 e tiveram seis filhos: Mathilde, Martin, Oliver, Ernest, Shopie e Anna. 

Embora o pai tenha lhe transmitido os valores do judaismo, Freud nunca seguiu as tradições e os costumes religiosos; ao mesmo tempo, nunca deixou de se considerar um homem judeu.Em algumas ocasiões, atribuiu à sua origem judaica o fato de resistir aos inúmeros ataques que a psicanálise sofreu desde o início (Freud aproximava a hostilidade sofrida pelo povo judeu ao longo da história às criticas virulentas e repetidas que a clínica e a teoria psicanalítica receberam)  A psicanálise surgiu afirmando que o inconsciente e a sexualidade eram campos inexplorados da alma humana, onde repousava todo o potencial para a ciência ainda adormecida. Freud assumia, assim,  seu propósito de remar contra a maré.

Médico neurologista de formação, foi contra a própria medicina que Freud produziu sua primeira ruptura epistêmica. Isto é: logo percebeu que as pacientes histéricas, afligidas por sintomas físicos sem causa aparente, eram, não raro, tratadas com indiferença médica e negligência no ambiente hospitalar. A histeria pediam, portanto, uma nova inteligibilidade, uma nova ciência. 





*Endo, P; Souza, E. Itinerário para uma leitura de Freud. In: O Mal-Estar na Cultura (R.Zwick, trad). Porto Alegre: LP&M, 2011. 

quarta-feira, 4 de maio de 2016

A Roda está no Snapchat

Estamos em mais uma rede social!
Nosso nome de usuário: rodadepsi.

Mandem sugestões de temas e conceitos da psicanalise. Estamos apresentando, discutindo e problematizando. Coloquem na Roda: vamos fazer circular os saberes!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

PERCURSO NA FORMAÇÃO PSICANALÍTICA

Roda de Psicanálise oferece:


                FORMAÇÃO BÁSICA EM PSICANÁLISE 


Com os membros do GTEP – Grupo de Transmissão e Estudos de Psicanálise do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae

Objetivos: Oferecer um espaço de transmissão da psicanálise, onde o estudo cuidadoso da obra de Freud e dos pós-freudianos é considerado fundamental para criar uma base sólida para a intervenção clínica. Trabalhar os conceitos e operadores que fundamentam a clínica psicanalítica. Desenvolver a escuta clínica, levando em consideração a metapsicologia freudiana. Acompanhar e supervisionar o trabalho clínico dos alunos em formação. Criar um espaço crítico e questionador, confrontando a coerência interna do discurso teórico com a prática clínica.
 
Destinado a: profissionais com formação universitária – psicólogos, médicos ou de áreas afins – que tenham experiência clínica, estudos prévios em psicanálise e análise pessoal.

Conteúdo Programático: Seminários teóricos, teórico-clínicos e clínicos, que serão propostos pela equipe do GTEP, de acordo com a singularidade do grupo a ser formado.

Duração: quatro módulos de nove meses cada, perfazendo um total de 36 meses (4 anos).

Carga horária: 8 horas mensais

Sexta a noite - das 18: 30 às 22:00
Sábado pela manhã -  das 9:00 as 13:30

Inscrições abertas até dia 12 de Fevereiro de 2016

Documentos para a inscrição: 01 foto 3x4 atual; curriculum vitae; carta de intenção (breve descrição do trajeto profissional e da motivação para esta formação); comprovante de depósito da taxa de inscrição. 

Entrevistas: 4 e 5 de março 

Os documentos podem ser enviados digitalizados via email para rodadepsicanalise@gmail.com ou impressos via postal para o endereço:

Rua Neo Alves Martins n° 2999
Edifício Marquezini Trade Center, 13° andar.
Sala 134
Zona 03 – Maringá – PR
CEP: 87013-060 


N° de vagas: 16 


Processo seletivo: Entrevista individual e análise dos documentos.

EntrevistasOcorrerão entre os dias 04 e 05 de março de 2016. O  local e horário das entrevistas, assim como os resultados da seleção, serão comunicados por telefone. 


Taxa de inscrição: R$ 100,00
Via depósito bancário em nome de Aline Sanches e Isabelle Maurutto Schoffen
Caixa Econômica Federal
AG: 3849 
Conta Poupança: 1094-0 
Operação: 013  


Início do curso: 25 e 26 de março de 2016


Anuidade: Matrícula R$ 400,00* + 9 parcelas de R$ 400,00* 
*sujeito a reajustes





Sobre o Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae 
O Grupo de Transmissão e Estudos de Psicanálise – GTEP é formado por membros do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae responsáveis pela transmissão da psicanálise fora dos limites da cidade de São Paulo, desde 1989. Nosso objetivo é oferecer um percurso teórico clinico em psicanálise, que consideramos como parte essencial da formação psicanalítica, que concebemos como contínua, e permanente, requerendo constante trabalho de ampliação e reelaboração de conhecimentos, no interior do campo psicanalítico e no intercâmbio com áreas afins.  Para tanto pautamo-nos pela escuta psicanalítica, apoiada na transferência, e pelo referencial freudiano em seu rigor conceitual, consistência metodológica e princípios éticos. Esta transmissão é realizada através, fundamentalmente, do estudo dos textos freudianos.

Sobre o Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae 
Ativo desde 1985 é um espaço de formação, interlocução, produção de pesquisas e publicações dentro do movimento psicanalítico, através do exercício fecundo da transmissão de múltiplas experiências de trabalho clínico, de eventos públicos e de produção editorial, assim como do contato e intercâmbio com outros analistas, grupos, instituições e espaços psicanalíticos ou ligados à psicanálise. 
Para mais informações: www.sedes.org.br/Departamentos/Psicanalise

Sobre a Roda de Psicanálise: teoria, clínica e cultura 
Iniciada em 2013 na cidade de Maringá, é um espaço para pensar a (e por meio da) psicanálise as questões cotidianas, familiares, econômicas, sociais e culturais. Seu objetivo é proporcionar um espaço de interlocução e construção do pensamento psicanalítico com seus pares, na medida em que se compreende a formação em psicanálise como um processo contínuo e permanente. 


Observações: 
1) A formação não funcionará com menos de 80% de totalidade das vagas oferecidas. 
2) Os candidatos à formação serão submetidos a um processo de seleção e somente poderão se matricular aqueles que forem aprovados.
3) Os alunos da formação, para obter o certificado de conclusão, deverão: 
  • Frequentar no mínimo 80% das aulas; 
  • Apresentar trabalho de conclusão proposto pelo corpo docente; 
  • Cumprir as exigências propostas pela formação. 
4) O preço da anuidade está sujeito a reajustes. 



Coordenadoras: 

Aline Sanches
Isabelle Maurutto Schoffen
Samara Megume Rodrigues 

E-mail: rodadepsicanalise@gmail.com
Contato: (44) 9834-4281 /(44) 9938-3542 




segunda-feira, 23 de novembro de 2015

O TERCEIRO DO ÉDIPO NO SÉCULO XXI

A Roda de Psicanálise convida para a Conferência:

O TERCEIRO DO ÉDIPO NO SÉCULO XXI 


com  Elcio Gonçalves de Oliveira Filho membro do Grupo de Transmissão e Estudos de Psicanálise (GTEP) do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae



 O complexo de Édipo, conceito princeps e pilar fundamental de sustentação do sujeito freudiano, deriva do patrimônio histórico da humanidade, desde que a herança simbólica, transmitida entre gerações, difunde, com técnicas de controle e subjetivação, o domínio cumulativo sobre os bens, a sexualidade e o desejo, ordenados pela conflitiva entre a religião, o direito e a ciência, impondo ainda hoje questões sobre a filiação.
 No mito de origem do Édipo freudiano encontramos duas formas de organização familiar. Inicialmente a matrilinear, associada em seus sonhos, mas pouco condizente com a realidade daquele momento social, e a patrilinear, apropriada para um momento de cultura em que a repressão da sexualidade, e a renúncia a uma parcela de prazer, mantinha-se fiel aos interditos da monogamia, do incesto e do parricídio, e podia ser sustentada pela regulação do desejo, através da culpa e da sublimação, inscritas no laço social pela via do amor e do trabalho.
  De todo modo, e não certamente sem motivos, tanto no Édipo de Sófocles (430 a.C.) quanto no complexo freudiano (1910) verificamos ter ficado de fora um resto do crime de amor, de Laio por Crísipo, o que deu origem à proibição dos Deuses sobre o direito de Laio a procriar e formar família, e pelo qual, por sua transgressão ele pagaria com a própria vida, sendo morto pelo filho recusado – o Édipo em questão.    
 Em tempos nos quais as relações sexuais não mais determinam a filiação, e em que o gênero fisiológico poderá ou não ser confirmado, a depender da escolha do sujeito sexuado, e ainda num momento em que os casais homo e/ou poli parentais podem, mais do que ser reconhecidos juridicamente, reproduzir e escolher o sexo biológico de suas crias com os recursos da ciência: como pensar o complexo Édipo, desde o Mito a nossos dias, face às novas formas de subjetivação na cultura do mal estar?



Psicanalista convidado:
Elcio Gonçalves de Oliveira Filho - é Psicólogo Clínico pela PUC/SP e Psicanalista membro do GTEP (Grupo de Transmissão e Estudos de Psicanálise), do grupo Psicanálise e Contemporaneidade, do grupo Crenças, do Projeto Laborar (Atendimento clínico à saúde do trabalhador), articulador do Conselho de Direção do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae (gestão 2015-2016) e colaborador da Revista Percurso. 


DIA: 04 de dezembro (sexta)

HORÁRIO: 19:30

LOCAL: Auditório do Aspen Park Trade Center 5 andar


INVESTIMENTO:

Inscrições antecipadas
Profissionais: R$ 40,00
Estudantes: R$ 30,00 

Inscrições no dia 04/12
Profissionais: R$ 50,00
Estudantes: R$ 40,00 


INSCRIÇÕES ANTECIPADAS:
via e-mail mediante comprovante de depósito bancário
Ficha de Inscrição
Nome Completo:
E-mail:
Telefone:
Profissão:
Instituição:

Envie seus dados e comprovante de depósito pelo e-mail abaixo:
rodadepsicanalise@gmail.com


Dados para Depósito Bancário
Aline Sanches e Isabelle Maurutto Schoffen
Caixa Econômica Federal
AG: 3849
Conta poupança: 1094-0
Operação: 13



*OBS: Qualquer pessoa que tenha graduação já será considerada profissional para fins de inscrição no evento.