sábado, 8 de julho de 2017

Grupo de Estudos - FUNDAMENTOS DA CLÍNICA PSICANALÍTICA

Por Samara Megume*


O objetivo do grupo é estudar, debater e refletir sobre os textos fundamentais de Freud sobre o método e a técnica psicanalítica. Percorreremos 50 anos de reflexão clínica de Freud, acompanhando a constituição, desenvolvimento e desdobramentos da prática de intervenção psicanalítica.
O presente grupo surge dos estudos prévios dos Artigos Sobre Técnica – um conjunto de seis trabalhos de Freud, publicados entre 1911 e 1915, que se destinam a debater as questões relativas à prática clínica da psicanálise. Alguns desses artigos são realmente discussões aprofundadas de problemas técnicos em seus contextos teórico-clínicos, como os dois textos destinados ao conceito de transferência (“A Dinâmica da Transferência” “Observações sobre o Amor Transferencial”) e também “Recordar, repetir e elaborar”. Outros têm um caráter mais pronunciado de regras, conselhos, dicas e advertências (“Sobre o uso da Interpretação dos sonhos”, “Conselhos aos médicos” e “Sobre o início do tratamento”).
Alguns anos depois de publicar os seis artigos sobre a técnica, Freud escreveu uma carta a Ferenczi em que diz “Recomendações sobre a técnica, que escrevi há muito tempo, era essencialmente de natureza negativa” (Freud em carta a Ferenczi, 1928). Freud usa o terno “natureza negativa” para se referir ao fato de que muito mais do que expor a conduta correta (positiva) que o psicanalista deveria ter, esses trabalhos continham a preocupação de interditar ou dissuadir certos procedimentos entre analistas inexperientes e afoitos. Ou seja, muito mais do que dizer de forma rígida o que é ou não correto em psicanálise (pois existem muitas formas legítimas de proceder) os artigos se destinavam a apontar os “erros” e desvios da prática, que devem ser sempre evitados.
Ao longo da leitura dos Artigos sobre Técnica Freud deixa evidente as várias interdições feitas às condutas do psicanalista que põem em risco o campo essencial da psicanálise (uso abusivo da sugestão, furor interpretativo, furor em curar, uso/abuso narcisista e perverso do poder transferencial, etc). Todas essas orientações são condições fundamentais para cumprir a única regra fundamental da análise: a associação livre, por parte do analisando e a atenção flutuante, por parte do analista.
Na carta destinada a Ferenczi Freud esclarece que “tudo aquilo de positivo que alguém deveria fazer deixei ao tato”. No entanto, ele ainda escreve que “o resultado foi que os analistas obedientes não perceberam a elasticidade das regras que propus e se submeteram como se fossem tabus” (Freud em carta a Ferenczi, de 1928).  Após a publicação de seus trabalhos sobre técnica Freud percebe que embora fosse extremamente necessário circunscrever o campo técnico da psicanálise, demarcando bem as psicologias e demais tratamentos que estão fora dele, também se tornava necessário a construção de uma atitude crítica perante a teoria da prática clínica.
Os aspectos técnicos da psicanálise não deveriam se reduzir a regras prescritivas de conduta para o analista, a diferentes formas de proibição ou mesmo a modos “livres” de fazer análise. Existem pilares que consolidam a prática em psicanálise, mas esses não são prisões, instrumentos de repressão que - como nos mostra Freud - servem para inibir a capacidade de pensar e de criar.  Tendo em vista a tensão existente entre os pilares técnicos da psicanálise e a fundamental liberdade e autonomia do analista, buscaremos ampliar a discussão dos Artigos sobre Técnica, realizando a leitura e o debate dos demais trabalhos de Freud que tratam principalmente da Técnica Psicanalítica e da Teoria que a embasa.  Os textos reunidos vão de 1890 à 1940 onde abordaremos várias temáticas técnicas, que vão desde a associação livre, atenção flutuante, transferência, repetição, formação do analista, início e final de análise, passando ainda pela interpretação e construções analíticas.
O nosso estudo em grupo será guiado também pela compreensão de que há uma dimensão ética entrelaçada às diferentes proposições técnicas. Conduzidos pela ética iremos igualmente debater a posição do analista, visando ampliar suas possibilidades de escuta e intervenção.




TEXTOS DE FREUD

  •  (1890) – Tratamento Psíquico (ou Mental)
  •  (1900) Carta a Fliess 242 (16 de abril de 1900)
  • (1904 [1905]) O Método Psicanalítico Freudiano
  • (1905) – Sobre a PsicoterapiA
  • (1910) – Sobre a Psicanálise “Selvagem"
  • (1914) – Fausse Reconnaissance (Déjá raconté) No início do tratamento                        psicanalíticO
  • (1916-17) – Conferências Introdutórias. Conferencia XXVII – Transferência
  • (1916-17) – Conferências Introdutórias. Conferência XVIII – Terapia Analítica
  • (1919 [1918]) Caminhos da Terapia Psicanalítica
  • (1926) – A Questão da Análise Leiga. (Cap.V)
  • (1932) – Novas Conferências introdutórias sobre Psicanálise. Conferência XXXIV (Explicações Aplicações e Orientações)
  • (1937) – Análise Terminável e Interminável
  • (1937) – Construções em Análise
  • (1940) – Esboço de Psicanálise 


ENCONTROS
Horário: Sexta-feira (das 14 às 15h30)
Freqüência: quinzenal 
Investimento: R$150,00 (por mês)


INSCRIÇÕES
Realizar depósito bancário no valor da primeira mensalidade. Enviar o nome completo, profissão/atuação ou instituição de ensino, juntamento com o comprovante de depósito para o endereço de email: rodadepsicanalise@gmail.com 
Conta para depósito: Banco do Brasil: agencia: 3512-2 Conta corrente: 31479-X. CPF: 047.737.739-44

INFORMAÇÕES DE DÚVIDAS: (44) 99938 3542 






Samara Megume Rodrigues* é Psicanalista e psicóloga (CRP 08/18324), graduada em psicologia pela Universidade Estadual de Maringá. Possui Mestrado em Psicologia pela mesma instituição (na linha Epistemologia e Práxis em Psicologia). É idealizadora e coordenadora da Roda de Psicanálise: espaço de transmissão e formação, que oferece grupos de estudos, supervisão clínica e Formação em Psicanálise (em parceria com o GTEP do departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae). Seu interesse científico atual direciona-se aos seguintes temas: psicanálise, clínica psicanalítica, estética e processos de criação. Atua como analista, realizando atendimento clínico na cidade de Maringá

segunda-feira, 8 de maio de 2017

ESTILOS DO CUIDADO: A Psicanálise e o Traumático

Roda de Psicanálise oferece:

Minicurso

ESTILOS DO CUIDADO: A Psicanálise e o Traumático, com prof. Dr. Daniel Kupermann*


O curso abrangerá as diversas modalidades do cuidado, partindo das concepções que regem a técnica psicanalítica – como a abstinência no campo transferencial e o primado da interpretação – as quais cedem gradativamente lugar, na história da constituição do campo psicanalítico, a um estilo clínico caracterizado pelo privilégio atribuído aos princípios para uma ética do cuidado em psicanálise: a hospitalidade, a empatia e a saúde do analista.




Serão abordados os seguintes tópicos: 
Freud, Trauma sexual e pulsão de morte.
Ferenczi e o Trauma Social
Winnicott e o trauma como ruptura da continuidade do ser
Impasses da Clínica Freudiana: perlaboração ou iatrogenia
Os Ensaios Clínicos de Ferenczi: a proposta da neocatarse
O quarto golpe: a virtude Freudiana
A Clínica do Testemunho: vivência da dor, expressão da dor
Lacan e o Traumático na Formação do Analista 


Data: 26/05 (18h00 às 22h00) e 27/05 (8h00 às 12h00)
Carga-Horária: 8 horas de trabalho
Local: Auditório do Aspen Park Trade Center. 5 andar 
Investimento: R$230,00
                 R$180,00 (Membros da Formação e grupos de estudos da Roda de Psicanálise) 
Público: Psicólogos, psicanalistas, psiquiatras, estudantes e profissionais da área da saúde. 

O EVENTO CONTARÁ COM O LANÇAMENTO DO LIVRO "ESTILOS DO CUIDADO" 

*Daniel Kupermann é professor doutor do Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), onde coordena o psiA – Laboratório de pesquisas e intervenções em psicanálise; bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq; psicanalista e autor de vários artigos publicados em revistas especializadas nacionais e estrangeiras, bem como dos livros Transferências cruzadas: uma história da psicanálise e suas instituições (Escuta), Ousar rir: humor, criação e psicanálise, e Presença sensível: cuidado e criação na clínica psicanalítica (Civilização Brasileira). É co-organizador de A fabricação do humano e Amar a si mesmo e amar o outro (Zagodoni).


INSCRIÇÕES ANTECIPADAS:
1)  Via depósito bancário.
Enviar e-mail com ficha de inscrição mais o comprovante de depósito bancário
Ficha de Inscrição
Nome Completo:
E-mail:
Telefone:
Profissão:
Instituição:
Envie seus dados e comprovante de depósito pelo e-mail abaixo:
rodadepsicanalise@gmail.com

Dados para Depósito Bancário
Aline Sanches e Isabelle Maurutto Schoffen (027.224.589-50)
Caixa Econômica Federal
AG: 3849
Conta poupança: 1094-0
Operação: 13

2) Presencialmente 
Nas Faculdades de Psicologia
*Na UEM: com Gabriele Gerbasi (44) 9845 2131 
* No UniCesumar: com Francieli Ferri (44) 98831 4322 
*NA UniFAMMA: com Juliana Tavares  (44) 99992 8831 e Letícia Thays  (44) 99951 3547 
*Em Campo Mourão, na UniCAMPO: com Bruno Dal Pasquale (44) 99916 1858


No Consultório de Psicanálise
Neo Alves Martins, 2999 (Esquina com a avenida Paraná)
*Entrar em contato com Samara Megume (44) 99938 3542 

terça-feira, 25 de abril de 2017

Felicidade e sofrimento: um olhar psicanalítico sobre a cultura da analgesia

Felicidade e sofrimento: um olhar psicanalítico sobre a cultura da analgesia

Por Aline Sanches*, Lígia Murassaki* e Nicoli Guerra*

Na obra O mal-estar na civilização (1930), Freud aborda o tema da felicidade, afirmando que se trata de algo inerente ao desejo humano, ou seja, todos os homens buscam ser felizes. Paradoxalmente, nossa própria constituição restringe nossas possibilidades de felicidade e “o sofrer nos ameaça a partir de três lados”: do próprio corpo, com suas dores e medos; do mundo externo; e das relações com os outros seres humanos (Freud, 1930, p.31). Desse modo, a busca pela felicidade se traduziria mais pela evitação do sofrimento do que pela vivência de fortes prazeres. Ela dependeria de uma certa “arte de viver”, cujas diversas receitas podem ser encontradas nos registros deixados por inúmeros filósofos e sábios ao longo de nossa história. 

Ora, se a felicidade pode ser considerada uma meta natural do ser humano, em nossa cultura ela adquire uma faceta singular, em que deixa de ser uma busca para se tornar uma imposição. Vivemos em uma sociedade que prega o prazer imediato e ininterrupto por meio do consumo. Vivemos em uma cultura da analgesia, em que não basta minimizar o sofrimento, mas este deve ser abolido.
Inseridos nesse contexto, em que o “ser feliz” tornou-se uma obrigação, os sujeitos não mais encaram a felicidade como uma possibilidade, como resultado do cultivo de certos modos de viver, e sim como um dever a ser cumprido. Franco (2009) afirma que “Essa postura implica uma mudança radical em nossas estruturas psíquicas: o que antes era considerado de pertinência do Id (a busca do prazer) passou a ser de pertinência ao Superego”. A obrigatoriedade de ser feliz, atrelada ao rigoroso controle do Superego frente aos moldes de uma sociedade de consumo, aparece então intimamente ligada ao adoecimento psíquico dos indivíduos e, ironicamente, leva ao encontro da infelicidade que tanto se quer fugir.
Diante de tantas imposições feitas pela sociedade capitalista para se alcançar uma “norma” do que é ser feliz, os indivíduos passam a perseguir um ideal de felicidade – o que se comprova pelo sucesso dos livros de autoajuda – sem se dar conta do quanto este ideal é incompatível com a vida. As imposições para se alcançar uma felicidade padronizada, idealizada, acabam arrastando a pessoa para a frustração, culpa, sentimentos de exclusão e impotência. Mais do que isso, as tentativas de anestesiar e de fugir do sofrimento, impedem que o ser humano adquira recursos psíquicos para lidar com o desprazer e com a frustração, o lançando em um ciclo vicioso que infantiliza e inibe a expansão da vida.
A teoria psicanalítica nos ensina que o desenvolvimento humano é um caminhar lento e gradativo em direção a uma convivência cada vez mais suportável com o sofrimento e o desprazer. O sofrimento se impõe em nossa existência e nos obriga a crescer, a nos fortalecer e amadurecer. As práticas psicoterapêuticas devem trabalhar para que o sofrimento possa ser encarado e não evitado ou anestesiado, sobretudo nos casos em que este é tão insuportável a ponto de gerar sintomas físicos e psíquicos. É nesse sentido que elas devem se opor ao imperativo dominante da felicidade imediata e ininterrupta tão propagada pela nossa cultura do consumo e das drogas, que não oferece nem tempo nem espaço para as experiências de lutos, fracassos e desprazer.
Como dizia o poeta: “tristeza não tem fim, felicidade sim...”. Longe de querer propor uma cultura do sofrimento em oposição ao imperativo da felicidade, pretende-se apenas que o sofrimento seja tratado com mais respeito e dignidade, que seja acolhido em nossa existência como parte necessária da própria concretização da felicidade.

Referências:
FRANCO, O. A civilização do mal-estar pela não felicidade. Revista Brasileira de Psicanálise, São Paulo, v.23, n. 2, p. 183-192, 2009.
FREUD, S. O mal-estar na civilização. In Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. 21. Trad. J. Salomão. Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1930)

* Aline Sanches é doutora em filosofia, psicanalista e professora do departamento de psicologia da UEM.
* Lígia Murassaki é acadêmica do 2º ano de Psicologia na UEM.

* Nicoli Guerra é acadêmica do 2º ano de Psicologia na UEM.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

FORMAÇÃO BÁSICA EM PSICANÁLISE - TURMA 2017



FORMAÇÃO BÁSICA EM PSICANÁLISE 

Com os membros do GTEP – Grupo de Transmissão e Estudos de Psicanálise do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae

  
Objetivos: Oferecer um espaço de transmissão da psicanálise, onde o estudo cuidadoso da obra de Freud e dos pós-freudianos é considerado fundamental para criar uma base sólida para a intervenção clínica. Trabalhar os conceitos e operadores que fundamentam a clínica psicanalítica. Desenvolver a escuta clínica, 
levando em consideração a metapsicologia freudiana. Acompanhar e supervisionar o trabalho clínico dos alunos em formação. Criar um espaço crítico e questionador, confrontando a coerência interna do discurso teórico com a prática clínica. 
   
Destinado a: profissionais com formação universitária – psicólogos, médicos ou de áreas afins – que desejam aperfeiçoar seu conhecimento teórico e técnico da psicanálise. 

Requisitos: Conhecimento básico da teoria psicanalítica, estar em atividade clínica em consultório particular ou em instituições, estar em análise pessoal e em supervisão clínica. 

Conteúdo Programático: Seminários teóricos, teórico-clínicos e clínicos, que serão propostos pela equipe do GTEP, de acordo com a singularidade do grupo a ser formado. 
  
Duração: quatro módulos de nove meses cada, perfazendo um total de 36 meses (4 anos). 
  
Carga horária: 8 horas mensais (as sextas no período da noite e aos sábados pela manhã). Com a possibilidade de mais 02 horas de supervisões individuais ou em dupla, a ser combinado mediante contratação adicional. 

Documentos para a inscrição: 01 foto 3x4 atual; curriculum vitae; carta de intenção (breve descrição do trajeto profissional e da motivação para esta formação); comprovante de depósito da taxa de inscrição. 
Os documentos podem ser enviados digitalizados via email para rodadepsicanalise@gmail.com ou impressos via postal para o nosso endereço:

Rua Neo Alves Martins n° 2999 
Edifício Marquezini Trade Center, 13° andar. 
Sala 134 
Zona 03 – Maringá – PR 
CEP: 87013-060 

N° de vagas: 16 

Processo seletivo: Entrevista individual e análise dos documentos. 
   
Entrevistas 24 e 25 de março
O local e horário das entrevistas, assim como os resultados da seleção, serão comunicados por telefone. 

Inscrição: até 7 de março 2017

Taxa de inscrição: R$ 150,00 
Via depósito bancário em nome de 
Aline Sanches e Isabelle Maurutto Schoffen (CPF: 027.224.589-50)
Caixa Econômica Federal
AG: 3849 
Conta Poupança: 1094-0 
Operação: 013  


Anuidade: Matrícula R$ 550,00* + 9 parcelas de R$ 550,00* 
*sujeito a reajustes

Sobre o Grupo de Transmissão e Estudos de Psicanálise – GTEP 

É formado por membros do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae responsáveis pela transmissão da psicanálise fora dos limites da cidade de São Paulo, desde 1989. Seu objetivo é oferecer um percurso teórico clínico em psicanálise, o que é parte essencial da formação psicanalítica e requer constante trabalho de ampliação e reelaboração de conhecimentos, no interior do campo psicanalítico e no intercâmbio com áreas afins. Pauta-se pela escuta psicanalítica, apoiada na transferência, e pelo referencial freudiano em seu rigor conceitual, consistência metodológica e princípios éticos. Esta transmissão é fundamentada, sobretudo pelo estudo dos textos freudianos. 

Sobre o Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae 

Ativo desde 1985 é um espaço de formação, interlocução, produção de pesquisas e publicações dentro do movimento psicanalítico, através do exercício fecundo da transmissão de múltiplas experiências de trabalho clínico, de eventos públicos e de produção editorial, assim como do contato e intercâmbio com outros analistas, grupos, instituições e espaços psicanalíticos ou ligados à psicanálise. 

Para mais informações: www.sedes.org.br/Departamentos/Psicanalise 


Sobre a Roda de Psicanálise: teoria, clínica e cultura 

É um espaço de interlocução e construção do pensamento psicanalítico com seus pares, na medida em que se compreende a formação em psicanálise como um processo contínuo e permanente. 

Observações: 

1) A formação não funcionará com menos de 80% de totalidade das vagas oferecidas. 

2) Os candidatos à formação serão submetidos a um processo de seleção e somente poderão se matricular aqueles que forem aprovados. 

3) Os alunos da formação, para obter o certificado de conclusão, deverão: 
  • Frequentar no mínimo 80% das aulas; 
  • Apresentar trabalho de conclusão proposto pelo corpo docente; 
  • Cumprir as exigências propostas pela formação. 
4) O preço da anuidade está sujeito a reajustes. 

Informações: 

Coordenadoras: 
Aline Sanches 
Isabelle Maurutto Schoffen 
Samara Megume Rodrigues 

E-mail: rodadepsicanalise@gmail.com 

Contato: (44) 9834-4281 /(44) 9938-3542 

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

INCONSCIENTE E SEXUALIDADE: Desafio Teórico-Clínico na Atualidade

A Roda de Psicanálise convida para o Evento:

INCONSCIENTE E SEXUALIDADE: Desafio Teórico-Clínico na Atualidade 




Mesas:
O INCONSCIENTE AINDA É SEXUAL?
Marli Ciriaco Vianna
É psicóloga, psicanalista, membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae. Professora do curso: Psicopatologia Psicanalítica e Clinica Contemporânea do Depto de Psicanalise.

O JOGO DO ENCAIXE: ANTÍTESE OU COMPLEMENTO AO JOGO DO CARRETEL? Uma tentativa de compreender o Édipo nas relações adesivas
Nanci de Oliveira Lima
É psicanalista, Especialista em Dependências Químicas e Não Químicas pelo Proad – da Unifesp. Membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae. Participa do Projeto de Investigação e Intervenção na Clinica das Anorexias e Bulimias e do GTEP, ambos deste Departamento.

Data: 04/11
Horário: às 19h30 
Local: Auditório da PUC
Investimento: 
Profissionais
60,00 (até dia 02/11)
70,00 (a partir do dia 03/11)
Estudantes:
40,00 (até dia 02/11)
50,00 (a partir do dia 03/11)

*participantes da Formação pela Roda de Psicanálise e estudantes de Graduação. 


Inscrições antecipadas via depósito bancário
Banco: 

SICOOB. Cooperativa: 4340
Conta: 82.475-5.
Samara Megume Rodrigues 
CPF: 047.737.739-44
Enviar o nome completo, profissão/atuação ou instituição de ensino para o endereço de email: rodadepsicanalise@gmail.com


segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Grupo de Estudos - Os Artigos Técnicos de Freud

A Roda de Psicanálise oferece grupo de estudos sobre a técnica analítica:


Os “Artigos sobre técnica” são compostos de seis escritos de Freud entre os anos de 1911 a 1915. Trata-se de uma detalhada exposição e problematização da técnica psicanalítica. O objetivo deste grupo de estudos é fazer uma leitura atenta e cuidadosa desses trabalhos e promover reflexões críticas acerca da interdependência entre o arcabouço teórico da psicanálise e a sua prática. A psicanálise é um campo de saber, uma psicopatologia, um método de investigação dos fenômenos psíquicos e, fundamentalmente, uma prática de intervenção clínica. Entendemos que o diálogo entre esses elementos é necessário para o fazer e a escuta do analista.
 A psicanálise propõe um encontro entre duas pessoas, atravessado pelos fenômenos inconscientes, a transferência e a resistência. Freud elaborou certo número de regras destinadas a tornar esse encontro possível. Longe de impor normas rígidas ele fez orientações e problematizações sobre a conduta do analista e a condução da análise.  Tais problemas constituem um centro de controvérsias até os dias atuais, carregando o peso da interrogação sobre os laços recíprocos entre teoria e prática. Buscaremos na leitura dos “Artigos sobre Técnica” adentrar esse campo de discussão.
 Freud (1913)[1] compara as regras da psicanálise ao jogo de xadrez, assim ele diz:

Quem desejar aprender nos livros o nobre jogo de xadrez logo descobrirá que somente as aberturas e os finais permitem uma descrição sistemática exaustiva, enquanto a infinita variedade de movimentos após a abertura desafia tal descrição. Apenas o estudo diligente de partidas dos mestres pode preencher a lacuna na instrução. As regras que podemos oferecer para o exercício do tratamento psicanalítico são sujeitas as limitações parecidas (FREUD, 1913, p.164)

Freud (1913) contrapõe a estabilidade da regra à imprevisibilidade das movimentações inconscientes. Neste jogo, em que convivem os paradoxos, torna-se essencial construir um estilo singular de trabalho.  No entanto, essa construção só é possível pelo estudo dedicado aos fundamentos dos mestres. No percurso de nossa leitura e discussão em grupo buscaremos os pilares de sustentação da escuta e da intervenção psicanalítica.


Roteiro de leituras
- O uso da interpretação dos sonhos na Psicanálise (1911)
- A Dinâmica da Transferência (1912)
- Recomendações ao médico que pratica a Psicanálise (1912)
- O início do Tratamento (1913)
- Observações sobre o Amor de Transferência (1915)


PÚBLICO: Profissionais da área psi e estudantes de Psicologia 
HORÁRIO: Sexta-feira (das 15h às 17h).
FREQUÊNCIA: Quizenal
INVESTIMENTO: R$150,00 (por mês, 2 encontros)
INSCRIÇÃO: Realizar depósito em conta bancária, com o valor da primeira mensalidade. Enviar o nome completo, profissão/atuação ou instituição de ensino para o endereço de email: rodadepsicanalise@gmail.com 
Conta para depósito: Banco: SICOOB. Agência: 4340 Conta: 82.475-5
INFORMAÇÕES E DÚVIDAS: (44) 9938 35 42 e (44) 9118 6069


*Samara Megume Rodrigues (CRP – 08/18324) é Psicóloga pela Universidade Estadual de Maringá. Mestre em Psicologia (Epistemologia e Práxis em psicologia pela mesma instituição). Trabalha em consultório particular, realizando atendimento em psicanálise. É coordenadora e idealizadora da Roda de Psicanálise.
**Isabelle Maurutto Schoffen (CRP -08/17708) é Psicóloga pela Universidade Estadual de Maringá. Mestre em Psicologia (Epistemologia e Práxis em psicologia pela mesma instituição). Atua na área da Saúde Pública e em consultório particular. É coordenadora e idealizadora da Roda de Psicanálise







[1] FREUD, S (1913). O início do Tratamento, in: Obras Completas vol.10.  São Paulo: Companhia das Letras, 2010. 

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Escutar os silêncios

*Por Samara Megume Rodrigues 



O silêncio tem uma grande importância para a psicanálise, principalmente na prática clínica. Ele não se refere apenas à ausência de palavras, mas é um estado afetivo que comunica, recusa, insinua. Há sempre um silêncio a ser evitado: no primeiro encontro, no círculo de amigos, no trabalho e na família. Ele é temido. O psicanalista não pode ter medo do silêncio. Porque além de ser um material de trabalho ele é uma técnica de intervenção clínica.

O silêncio é nosso estado primeiro, em torno do qual as palavras gravitam. A figura do vazio. Faz-se vida com o verbo, que passa a dar formas e contornos à existência. O silêncio também é nosso estado último. A morte é aquilo que cessa a produção de novas palavras no sujeito. Talvez seja esse um dos motivos pelos quais hoje as pessoas queiram escutar tudo, menos o silêncio. Esperar em silêncio, comer em silêncio e até ler são situações cada vez mais raras. O vazio é inundado pela tecnologia informatizada, que promete nos preencher plenamente. A televisão ligada na hora de dormir ou o celular que insiste em tocar musicas barulhentas em situações de pausa ou repouso. O consumo desses bens não vai nos livrar de nossa finitude, dos limites frágeis e silenciosos de nossas vidas. Esse barulho extremo é apatia. Esse grito pode ser falta de voz.

O silencio gera medo não apenas por ser esse estado além ou aquém do humano. Mas também porque ele porta as palavras proibidas, censuradas e rejeitadas. O sintoma no corpo é uma forma de dizer o que se calou. Novamente os bens de consumo, principalmente os fármacos, se tornam estratégias para emudecer. Igualmente, usa-se várias palavras para encobrir, ocultar. É preciso muita tagarelice para enterrar os ditos proibidos. Em muitos momentos da análise o silêncio anuncia a entrada em um território no qual o sujeito não quer pisar. “Eu não tenho nada a dizer”: são as portas que tapam o negado, o recalque – o que foi silenciado.
No texto “Tratamento Psíquico (ou anímico)”, Freud (1905a) escreve sua descoberta do poder das palavras, sobre como sua representação se articula ao corpo. O afeto é testemunha dessa articulação. Assim escreve:

O leigo por certo achará difícil compreender que as perturbações patológicas do corpo e da alma possam ser eliminadas através de “meras” palavras. Achará que lhe estão pedindo para acreditar em bruxarias. E não estará tão errado assim: as palavras de nossa fala cotidiana não passam de magia mais atenuada. Mas será preciso tomarmos um caminho indireto para tornar compreensível o modo como a ciência é empregada para restituir às palavras pelo menos parte de seu antigo poder mágico (Freud, 1905, p.271)

O encanto das palavras reside no fato de impactarem no corpo e na cultura. A linguagem enlaça os seres humanos, “[...] por isso já não soa enigmático afirmar que a magia das palavras pode eliminar os sintomas patológicos, sobretudo aqueles que se baseiam justamente nos estados psíquicos” (Freud, 1905, p.279). As palavras nos tiram da animalidade. Por meio delas nos tornamos sujeitos, adentramos a civilização.
A experiência de análise se funda em um trabalho de nomeação.  Ou seja, a entrada na análise é a saída do silêncio. A psicanálise é um saber falar, Talking Cure, mas também é um saber escutar e um saber ver. Não as palavras do analista (isso seria sugestão), mas as próprias palavras, aquelas recusadas. O analista empresta seu corpo para que elas falem, para que falhem: esquecimentos, lapsos, duplos sentidos, chistes, sonhos. As formações do inconsciente são provas de que as palavras silenciadas insistem em serem escutadas.
 Freud (1898) no texto “Sobre o mecanismo de esquecimento psíquico” não encontra palavras para nomear o afresco de Orvietto – o esquecimento de Signorelli. Diante desse vazio mnêmico ele constrói a compreensão da existência de uma outra lógica em nossa vida psíquica, em que imperam leis particulares, diferente das que dominam na consciência. Há algo em nós que tende ao apagamento e nossos saberes nos escapam.
Clarice Lispector (1996) em seu conto chamado “Silêncio” diferencia dois tipos dele: o grande silêncio e o pequeno. Ela nomeia como grande silêncio esse estado último, sem lembranças de palavras. Assim ela diz:

É um silêncio que não dorme: é insone: imóvel mas insone; e sem fantasmas. É terrível – sem nenhum fantasma. Inútil querer povoá-lo com a possibilidade de uma porta que se abra rangendo, de uma cortina que se abra e diga alguma coisa. Ele é vazio e sem promessa. Se ao menos houvesse o vento. Vento é ira, ira é a vida. (p.73)

É preciso quebrá-lo para que a vida se faça. É o silêncio da impossibilidade dos verbos, do trauma, do luto por fazer, do corpo, da dor que não pode ser simbolizada e se tornar sofrimento. Assim “Quando este se apresenta todo nu, nem é comunicação, é submissão. Pois nós não fomos feitos senão para o pequeno silêncio” (Lispector, 1996, p.76). Ao final do conto ela escreve sobre outro tipo e silêncio, o pequeno. É um silêncio que existe na e pela vida. O pequeno silêncio é necessário, pois é impossível tudo dizer. Ele é a falha, o tropeço e também portador do silenciado. Lispector (1996) continua a falar deste “Depois de uma palavra dita. Às vezes no próprio coração da palavra. Os ouvidos se assombram, o olhar se esgazeia – ei-lo. E dessa vez ele é fantasma” (p.76).
O silêncio que é o limite, o silêncio que é recalcado é povoado de fantasmas. Como já anunciei, o psicanalista não recua diante da cena muda. Freud, diferentemente de Breuer, decide enfrentá-la – é o que acontece na transferência.
O silêncio é uma atitude técnica, que é usada em muitos momentos para “invocar fantasmas”. Quem sofre dirige suas palavras àquele que o escuta. A não resposta do analista, seu silêncio, remete o sujeito a suas origens inconscientes, aos alicerces arcaicos do amor. Mas é preciso lembrar que essa atitude técnica não é indicada para todos os casos ou em todos os momentos da análise. Há silêncios que são improdutivos. O silêncio é ambíguo e nisso reside saber usá-lo. Há fantasmas mais difíceis de serem suportados. Para isso temos que construir uma base sobre a qual analista e analisando possam pisar antes de enfrentá-los. É preciso enfatizar que as vezes a “interpretação” do analista, seu excesso de explicação nada mais faz do que tentar enjaular os monstros, silenciando novamente o que pulsa.
Freud (1905b) ao estudar os chistes, os ditos espirituosos, que são espécies “brincadeiras verbais” formadas por conteúdo inconsciente, escreve que esses são formados involuntariamente. “Não acontece que saibamos, um momento antes, que chiste vamos fazer, necessitando apenas, vesti-lo em palavras” (Freud, 1905b, p.158). Sobre a relação do inconsciente com as palavras, Freud (1905b) oferece a imagem de que  a palavra é a roupa das coisas. Nesse sentido, em uma análise, precisamos nos despir, deixar que se revele. O silêncio do analista é o que dá suporte às associações. É o que sustenta a figuras projetivas. Como nos lembra Alonso (1988) a psicanálise inaugura o campo da escuta, produzindo uma verdadeira ruptura epistemológica concernente a psiquiatria da época. “Diria então que, do lugar do analista, se escuta tudo, para poder escutar alguma coisa. Coisa essa que é o inconsciente, que no seio da repetição insiste para ser escutado, que na trama dos movimentos imaginários, se disfarça, se fantasia e, no entanto, vai tecendo o fantasma” (p.21-22).
O silêncio modifica as demandas, a cada momento. Nesse sentido ele é uma espécie de morte. Quando silenciamos o disfarce fazemos falar o silenciado, ressignificamos nossas perdas. Morremos várias vezes, para fazer re-viver novos sentidos, novas palavras.



*Samara Megume Rodrigues é psicóloga clínica, analista em formação. Possui mestrando em Psicologia (PPI/UEM). É idealizadora e colaboradora da Roda de Psicanálise



Referências Bibliográficas

ALONSO, S, L. (1988) A escuta psicanalítica. Revista Percurso. N;1 Vol.1. São Paulo
FREUD, S. (1898) O mecanismo psíquico do esquecimento. In:____Obras Psicologicas Completas de Sigmund Freud. Vol.III. Rio de Janeiro: Imago, 2006.
FREUD, S. (1905a) Tratamento Psíquico (ou anímico). In:____Obras Psicologicas Completas de Sigmund Freud. Vol.VII. Rio de Janeiro: Imago, 2006.
FREUD, S. (1905b). Os Chistes e sua relação com o inconsciente In:____Obras Psicologicas Completas de Sigmund Freud. Vol.VIII. Rio de Janeiro: Imago, 2006.
LISPECTOR, C. (1996).  Silêncio. In: Onde estiveres de noite. Rio de Janeiro: Rocco.