domingo, 4 de fevereiro de 2018

O sofrimento como expressão da vida: os limites da cultura diagnóstica

Josiane C. Bocchi*
Aline Sanches*





Em nossa cultura, nos esforçamos para transformar toda experiência de sofrimento humano em uma patologia a ser tratada. Simão Bacamarte, o grande alienista, já sabia que “a ciência tem o inefável dom de curar todas as mágoas” (Machado de Assis, 1882/1993, p.48). Ao receber um determinado diagnóstico, “o neurótico”, “o depressivo” ou “o bipolar” nomeia-se – e é nomeado pelo saber do especialista - através de um ato de fala capaz de produzir performativamente novos efeitos, ampliando mas também restringindo outras possibilidades (Safatle, 2013). Quais são as implicações dessa psiquiatrização engendrada pelos manuais diagnósticos e pela medicalização crescente da vida contemporânea? As classificações partem do princípio de que todos os tipos de mal-estar podem ser codificados, diagnosticados e tratados com a mesma eficácia e precisão com que se trata um organismo e seu órgão afetado.
Temos assistido ao crescimento exponencial das estatísticas nos casos de autismo, TDH e depressão, a ponto de ganharem status de epidemias. Mas sabe-se que tais índices crescem na mesma proporção que os instrumentos diagnósticos que os identificam. Seguindo este raciocínio, sabemos que muitos diagnósticos de transtorno mental são efeitos da visão normativa dos manuais psiquiátricos e do mero anseio por classificar. Anseio este que não atinge somente os especialistas; quem sente um mal estar, imediatamente já começa a se identificar com listas de sintomas que circulam pela internet. É a busca de um nome para se ancorar ou para refutar: que tal um diagnóstico para chamar de seu? E, por acaso, um nome inclui? Sim, há novas identidades criadas e reinventadas em modismos e siglas: TEPT, TBP, LGBT...
Contudo, há diferentes modos de sofrer a vida que não precisam – e que muitas vezes não podem – ser nomeados. Assim, primeiramente gostaríamos de propor uma reflexão sobre o transtorno mental não como doença ou patologia – embora ele seja um signo do campo da psicopatologia -, mas fundamentalmente como uma experiência de sofrimento. Em seguida, pensar o sofrimento como indissociável de uma categoria política que aspira ao reconhecimento (Dunker, 2015), uma vez que o sofrimento comunica, anuncia, denuncia, cala certas coisas, grita outras, mas aponta limites. Pode ser limites de um indivíduo, de um coletivo ou de uma sociedade e de sua época, da economia liberal, do mundo globalizado e de suas invenções efêmeras, onde produtos, grupos e pessoas são equalizados no mesmo registro do valor de troca; em que as demandas sociais impostas e/ou assumidas pelo sujeito, de eficácia e produtividade, refletem padrões inviáveis de consumo, beleza e vitalidade.
Assim, propomos deslocar o alvo de nosso furor diagnóstico, mirando a cultura e analisando seus sintomas e suas figurações de mal-estar, e não o indivíduo. Logo, encontramos vários autores que descrevem nossa atualidade como marcada por perdas e vazios, “entendida alternativamente como incapacidade do sujeito de reconhecer-se em sua própria história particular ou como dificuldade de estabelecer formas sociais universalmente compartilháveis” (Dunker, 2011, p.115). Cultura marcada por vínculos sociais rasos, frágeis e móveis, compondo narrativas esburacadas e solitárias, em que pesam “expressões do paradigma mórbido, que caracteriza a subjetividade moderna como um inventário de desencontros, falsas restituições, promessas irrealizadas e elaborações melancólicas” (ibid, p.119). Neste sentido, ancorar-se em uma classificação diagnóstica satisfaz certos aspectos de nossa necessidade de enraizamento e pertencimento, mesmo quando se trata de paragens reconhecidas socialmente como deficitárias, limitadas e patológicas. A noção de transtorno mental como doença, como déficit (de hormônio, neurotransmissor ou de ajustamento ao que se espera), busca padronizar o sofrimento e é representada pelo modelo médico que ganhou força a partir da década de 60 com a descoberta dos primeiros fármacos para psicose e depressão maníaca. Em contraposição a esta visão padronizadora do sofrimento, a psicanálise oferece meios para torná-lo singular, não para aumentar o fosso da solidão que nos separa uns dos outros, mas possibilitando a criação de uma narrativa pessoal e social em que me reconheço nos outros seres viventes, mesmo quando exalto minha originalidade e onde minha experiência de sofrimento torna-se matéria-prima para potencializar a vida.



* Josiane C. Bocchi é doutora em filosofia, psicóloga, professora de psicopatologia do Departamento de Psicologia da UNESP-Bauru.
* Aline Sanches é doutora em filosofia, psicóloga psicanalista e professora do Departamento de Psicologia da UEM. Coordenadora da Roda de Psicanálise.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

DUNKER, Christian Ingo Lenz. (2015). Mal-estar, sofrimento e sintoma: uma psicopatologia do Brasil entre muros. São Paulo: Boitempo.
DUNKER, Christian Ingo Lenz. (2011) Tempo Social, revista de sociologia da USP, v. 23, n. 1.
MACHADO DE ASSIS. O Alienista. Contos. Seleção, introdução, notas e questionários de Francisco Achcar. São Paulo: CERED– Objetivo, 1993. (Texto original publicado em 1882).
SAFATLE, V. P. O poder da psiquiatria. Revista CULT, São Paulo, v. 184, 16 out. 2013.


sábado, 8 de julho de 2017

Grupo de Estudos - FUNDAMENTOS DA CLÍNICA PSICANALÍTICA

Por Samara Megume*


O objetivo do grupo é estudar, debater e refletir sobre os textos fundamentais de Freud sobre o método e a técnica psicanalítica. Percorreremos 50 anos de reflexão clínica de Freud, acompanhando a constituição, desenvolvimento e desdobramentos da prática de intervenção psicanalítica.
O presente grupo surge dos estudos prévios dos Artigos Sobre Técnica – um conjunto de seis trabalhos de Freud, publicados entre 1911 e 1915, que se destinam a debater as questões relativas à prática clínica da psicanálise. Alguns desses artigos são realmente discussões aprofundadas de problemas técnicos em seus contextos teórico-clínicos, como os dois textos destinados ao conceito de transferência (“A Dinâmica da Transferência” “Observações sobre o Amor Transferencial”) e também “Recordar, repetir e elaborar”. Outros têm um caráter mais pronunciado de regras, conselhos, dicas e advertências (“Sobre o uso da Interpretação dos sonhos”, “Conselhos aos médicos” e “Sobre o início do tratamento”).
Alguns anos depois de publicar os seis artigos sobre a técnica, Freud escreveu uma carta a Ferenczi em que diz “Recomendações sobre a técnica, que escrevi há muito tempo, era essencialmente de natureza negativa” (Freud em carta a Ferenczi, 1928). Freud usa o terno “natureza negativa” para se referir ao fato de que muito mais do que expor a conduta correta (positiva) que o psicanalista deveria ter, esses trabalhos continham a preocupação de interditar ou dissuadir certos procedimentos entre analistas inexperientes e afoitos. Ou seja, muito mais do que dizer de forma rígida o que é ou não correto em psicanálise (pois existem muitas formas legítimas de proceder) os artigos se destinavam a apontar os “erros” e desvios da prática, que devem ser sempre evitados.
Ao longo da leitura dos Artigos sobre Técnica Freud deixa evidente as várias interdições feitas às condutas do psicanalista que põem em risco o campo essencial da psicanálise (uso abusivo da sugestão, furor interpretativo, furor em curar, uso/abuso narcisista e perverso do poder transferencial, etc). Todas essas orientações são condições fundamentais para cumprir a única regra fundamental da análise: a associação livre, por parte do analisando e a atenção flutuante, por parte do analista.
Na carta destinada a Ferenczi Freud esclarece que “tudo aquilo de positivo que alguém deveria fazer deixei ao tato”. No entanto, ele ainda escreve que “o resultado foi que os analistas obedientes não perceberam a elasticidade das regras que propus e se submeteram como se fossem tabus” (Freud em carta a Ferenczi, de 1928).  Após a publicação de seus trabalhos sobre técnica Freud percebe que embora fosse extremamente necessário circunscrever o campo técnico da psicanálise, demarcando bem as psicologias e demais tratamentos que estão fora dele, também se tornava necessário a construção de uma atitude crítica perante a teoria da prática clínica.
Os aspectos técnicos da psicanálise não deveriam se reduzir a regras prescritivas de conduta para o analista, a diferentes formas de proibição ou mesmo a modos “livres” de fazer análise. Existem pilares que consolidam a prática em psicanálise, mas esses não são prisões, instrumentos de repressão que - como nos mostra Freud - servem para inibir a capacidade de pensar e de criar.  Tendo em vista a tensão existente entre os pilares técnicos da psicanálise e a fundamental liberdade e autonomia do analista, buscaremos ampliar a discussão dos Artigos sobre Técnica, realizando a leitura e o debate dos demais trabalhos de Freud que tratam principalmente da Técnica Psicanalítica e da Teoria que a embasa.  Os textos reunidos vão de 1890 à 1940 onde abordaremos várias temáticas técnicas, que vão desde a associação livre, atenção flutuante, transferência, repetição, formação do analista, início e final de análise, passando ainda pela interpretação e construções analíticas.
O nosso estudo em grupo será guiado também pela compreensão de que há uma dimensão ética entrelaçada às diferentes proposições técnicas. Conduzidos pela ética iremos igualmente debater a posição do analista, visando ampliar suas possibilidades de escuta e intervenção.




TEXTOS DE FREUD

  •  (1890) – Tratamento Psíquico (ou Mental)
  •  (1900) Carta a Fliess 242 (16 de abril de 1900)
  • (1904 [1905]) O Método Psicanalítico Freudiano
  • (1905) – Sobre a PsicoterapiA
  • (1910) – Sobre a Psicanálise “Selvagem"
  • (1914) – Fausse Reconnaissance (Déjá raconté) No início do tratamento                        psicanalíticO
  • (1916-17) – Conferências Introdutórias. Conferencia XXVII – Transferência
  • (1916-17) – Conferências Introdutórias. Conferência XVIII – Terapia Analítica
  • (1919 [1918]) Caminhos da Terapia Psicanalítica
  • (1926) – A Questão da Análise Leiga. (Cap.V)
  • (1932) – Novas Conferências introdutórias sobre Psicanálise. Conferência XXXIV (Explicações Aplicações e Orientações)
  • (1937) – Análise Terminável e Interminável
  • (1937) – Construções em Análise
  • (1940) – Esboço de Psicanálise 


ENCONTROS
Horário: Sexta-feira (das 14 às 15h30)
Freqüência: quinzenal 
Investimento: R$150,00 (por mês)


INSCRIÇÕES
Realizar depósito bancário no valor da primeira mensalidade. Enviar o nome completo, profissão/atuação ou instituição de ensino, juntamento com o comprovante de depósito para o endereço de email: rodadepsicanalise@gmail.com 
Conta para depósito: Banco do Brasil: agencia: 3512-2 Conta corrente: 31479-X. CPF: 047.737.739-44

INFORMAÇÕES DE DÚVIDAS: (44) 99938 3542 






Samara Megume Rodrigues* é Psicanalista e psicóloga (CRP 08/18324), graduada em psicologia pela Universidade Estadual de Maringá. Possui Mestrado em Psicologia pela mesma instituição (na linha Epistemologia e Práxis em Psicologia). É idealizadora e coordenadora da Roda de Psicanálise: espaço de transmissão e formação, que oferece grupos de estudos, supervisão clínica e Formação em Psicanálise (em parceria com o GTEP do departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae). Seu interesse científico atual direciona-se aos seguintes temas: psicanálise, clínica psicanalítica, estética e processos de criação. Atua como analista, realizando atendimento clínico na cidade de Maringá

segunda-feira, 8 de maio de 2017

ESTILOS DO CUIDADO: A Psicanálise e o Traumático

Roda de Psicanálise oferece:

Minicurso

ESTILOS DO CUIDADO: A Psicanálise e o Traumático, com prof. Dr. Daniel Kupermann*


O curso abrangerá as diversas modalidades do cuidado, partindo das concepções que regem a técnica psicanalítica – como a abstinência no campo transferencial e o primado da interpretação – as quais cedem gradativamente lugar, na história da constituição do campo psicanalítico, a um estilo clínico caracterizado pelo privilégio atribuído aos princípios para uma ética do cuidado em psicanálise: a hospitalidade, a empatia e a saúde do analista.




Serão abordados os seguintes tópicos: 
Freud, Trauma sexual e pulsão de morte.
Ferenczi e o Trauma Social
Winnicott e o trauma como ruptura da continuidade do ser
Impasses da Clínica Freudiana: perlaboração ou iatrogenia
Os Ensaios Clínicos de Ferenczi: a proposta da neocatarse
O quarto golpe: a virtude Freudiana
A Clínica do Testemunho: vivência da dor, expressão da dor
Lacan e o Traumático na Formação do Analista 


Data: 26/05 (18h00 às 22h00) e 27/05 (8h00 às 12h00)
Carga-Horária: 8 horas de trabalho
Local: Auditório do Aspen Park Trade Center. 5 andar 
Investimento: R$230,00
                 R$180,00 (Membros da Formação e grupos de estudos da Roda de Psicanálise) 
Público: Psicólogos, psicanalistas, psiquiatras, estudantes e profissionais da área da saúde. 

O EVENTO CONTARÁ COM O LANÇAMENTO DO LIVRO "ESTILOS DO CUIDADO" 

*Daniel Kupermann é professor doutor do Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), onde coordena o psiA – Laboratório de pesquisas e intervenções em psicanálise; bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq; psicanalista e autor de vários artigos publicados em revistas especializadas nacionais e estrangeiras, bem como dos livros Transferências cruzadas: uma história da psicanálise e suas instituições (Escuta), Ousar rir: humor, criação e psicanálise, e Presença sensível: cuidado e criação na clínica psicanalítica (Civilização Brasileira). É co-organizador de A fabricação do humano e Amar a si mesmo e amar o outro (Zagodoni).


INSCRIÇÕES ANTECIPADAS:
1)  Via depósito bancário.
Enviar e-mail com ficha de inscrição mais o comprovante de depósito bancário
Ficha de Inscrição
Nome Completo:
E-mail:
Telefone:
Profissão:
Instituição:
Envie seus dados e comprovante de depósito pelo e-mail abaixo:
rodadepsicanalise@gmail.com

Dados para Depósito Bancário
Aline Sanches e Isabelle Maurutto Schoffen (027.224.589-50)
Caixa Econômica Federal
AG: 3849
Conta poupança: 1094-0
Operação: 13

2) Presencialmente 
Nas Faculdades de Psicologia
*Na UEM: com Gabriele Gerbasi (44) 9845 2131 
* No UniCesumar: com Francieli Ferri (44) 98831 4322 
*NA UniFAMMA: com Juliana Tavares  (44) 99992 8831 e Letícia Thays  (44) 99951 3547 
*Em Campo Mourão, na UniCAMPO: com Bruno Dal Pasquale (44) 99916 1858


No Consultório de Psicanálise
Neo Alves Martins, 2999 (Esquina com a avenida Paraná)
*Entrar em contato com Samara Megume (44) 99938 3542 

terça-feira, 25 de abril de 2017

Felicidade e sofrimento: um olhar psicanalítico sobre a cultura da analgesia

Felicidade e sofrimento: um olhar psicanalítico sobre a cultura da analgesia

Por Aline Sanches*, Lígia Murassaki* e Nicoli Guerra*

Na obra O mal-estar na civilização (1930), Freud aborda o tema da felicidade, afirmando que se trata de algo inerente ao desejo humano, ou seja, todos os homens buscam ser felizes. Paradoxalmente, nossa própria constituição restringe nossas possibilidades de felicidade e “o sofrer nos ameaça a partir de três lados”: do próprio corpo, com suas dores e medos; do mundo externo; e das relações com os outros seres humanos (Freud, 1930, p.31). Desse modo, a busca pela felicidade se traduziria mais pela evitação do sofrimento do que pela vivência de fortes prazeres. Ela dependeria de uma certa “arte de viver”, cujas diversas receitas podem ser encontradas nos registros deixados por inúmeros filósofos e sábios ao longo de nossa história. 

Ora, se a felicidade pode ser considerada uma meta natural do ser humano, em nossa cultura ela adquire uma faceta singular, em que deixa de ser uma busca para se tornar uma imposição. Vivemos em uma sociedade que prega o prazer imediato e ininterrupto por meio do consumo. Vivemos em uma cultura da analgesia, em que não basta minimizar o sofrimento, mas este deve ser abolido.
Inseridos nesse contexto, em que o “ser feliz” tornou-se uma obrigação, os sujeitos não mais encaram a felicidade como uma possibilidade, como resultado do cultivo de certos modos de viver, e sim como um dever a ser cumprido. Franco (2009) afirma que “Essa postura implica uma mudança radical em nossas estruturas psíquicas: o que antes era considerado de pertinência do Id (a busca do prazer) passou a ser de pertinência ao Superego”. A obrigatoriedade de ser feliz, atrelada ao rigoroso controle do Superego frente aos moldes de uma sociedade de consumo, aparece então intimamente ligada ao adoecimento psíquico dos indivíduos e, ironicamente, leva ao encontro da infelicidade que tanto se quer fugir.
Diante de tantas imposições feitas pela sociedade capitalista para se alcançar uma “norma” do que é ser feliz, os indivíduos passam a perseguir um ideal de felicidade – o que se comprova pelo sucesso dos livros de autoajuda – sem se dar conta do quanto este ideal é incompatível com a vida. As imposições para se alcançar uma felicidade padronizada, idealizada, acabam arrastando a pessoa para a frustração, culpa, sentimentos de exclusão e impotência. Mais do que isso, as tentativas de anestesiar e de fugir do sofrimento, impedem que o ser humano adquira recursos psíquicos para lidar com o desprazer e com a frustração, o lançando em um ciclo vicioso que infantiliza e inibe a expansão da vida.
A teoria psicanalítica nos ensina que o desenvolvimento humano é um caminhar lento e gradativo em direção a uma convivência cada vez mais suportável com o sofrimento e o desprazer. O sofrimento se impõe em nossa existência e nos obriga a crescer, a nos fortalecer e amadurecer. As práticas psicoterapêuticas devem trabalhar para que o sofrimento possa ser encarado e não evitado ou anestesiado, sobretudo nos casos em que este é tão insuportável a ponto de gerar sintomas físicos e psíquicos. É nesse sentido que elas devem se opor ao imperativo dominante da felicidade imediata e ininterrupta tão propagada pela nossa cultura do consumo e das drogas, que não oferece nem tempo nem espaço para as experiências de lutos, fracassos e desprazer.
Como dizia o poeta: “tristeza não tem fim, felicidade sim...”. Longe de querer propor uma cultura do sofrimento em oposição ao imperativo da felicidade, pretende-se apenas que o sofrimento seja tratado com mais respeito e dignidade, que seja acolhido em nossa existência como parte necessária da própria concretização da felicidade.

Referências:
FRANCO, O. A civilização do mal-estar pela não felicidade. Revista Brasileira de Psicanálise, São Paulo, v.23, n. 2, p. 183-192, 2009.
FREUD, S. O mal-estar na civilização. In Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. 21. Trad. J. Salomão. Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1930)

* Aline Sanches é doutora em filosofia, psicanalista e professora do departamento de psicologia da UEM.
* Lígia Murassaki é acadêmica do 2º ano de Psicologia na UEM.

* Nicoli Guerra é acadêmica do 2º ano de Psicologia na UEM.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

FORMAÇÃO BÁSICA EM PSICANÁLISE - TURMA 2017



FORMAÇÃO BÁSICA EM PSICANÁLISE 

Com os membros do GTEP – Grupo de Transmissão e Estudos de Psicanálise do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae

  
Objetivos: Oferecer um espaço de transmissão da psicanálise, onde o estudo cuidadoso da obra de Freud e dos pós-freudianos é considerado fundamental para criar uma base sólida para a intervenção clínica. Trabalhar os conceitos e operadores que fundamentam a clínica psicanalítica. Desenvolver a escuta clínica, 
levando em consideração a metapsicologia freudiana. Acompanhar e supervisionar o trabalho clínico dos alunos em formação. Criar um espaço crítico e questionador, confrontando a coerência interna do discurso teórico com a prática clínica. 
   
Destinado a: profissionais com formação universitária – psicólogos, médicos ou de áreas afins – que desejam aperfeiçoar seu conhecimento teórico e técnico da psicanálise. 

Requisitos: Conhecimento básico da teoria psicanalítica, estar em atividade clínica em consultório particular ou em instituições, estar em análise pessoal e em supervisão clínica. 

Conteúdo Programático: Seminários teóricos, teórico-clínicos e clínicos, que serão propostos pela equipe do GTEP, de acordo com a singularidade do grupo a ser formado. 
  
Duração: quatro módulos de nove meses cada, perfazendo um total de 36 meses (4 anos). 
  
Carga horária: 8 horas mensais (as sextas no período da noite e aos sábados pela manhã). Com a possibilidade de mais 02 horas de supervisões individuais ou em dupla, a ser combinado mediante contratação adicional. 

Documentos para a inscrição: 01 foto 3x4 atual; curriculum vitae; carta de intenção (breve descrição do trajeto profissional e da motivação para esta formação); comprovante de depósito da taxa de inscrição. 
Os documentos podem ser enviados digitalizados via email para rodadepsicanalise@gmail.com ou impressos via postal para o nosso endereço:

Rua Neo Alves Martins n° 2999 
Edifício Marquezini Trade Center, 13° andar. 
Sala 134 
Zona 03 – Maringá – PR 
CEP: 87013-060 

N° de vagas: 16 

Processo seletivo: Entrevista individual e análise dos documentos. 
   
Entrevistas 24 e 25 de março
O local e horário das entrevistas, assim como os resultados da seleção, serão comunicados por telefone. 

Inscrição: até 7 de março 2017

Taxa de inscrição: R$ 150,00 
Via depósito bancário em nome de 
Aline Sanches e Isabelle Maurutto Schoffen (CPF: 027.224.589-50)
Caixa Econômica Federal
AG: 3849 
Conta Poupança: 1094-0 
Operação: 013  


Anuidade: Matrícula R$ 550,00* + 9 parcelas de R$ 550,00* 
*sujeito a reajustes

Sobre o Grupo de Transmissão e Estudos de Psicanálise – GTEP 

É formado por membros do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae responsáveis pela transmissão da psicanálise fora dos limites da cidade de São Paulo, desde 1989. Seu objetivo é oferecer um percurso teórico clínico em psicanálise, o que é parte essencial da formação psicanalítica e requer constante trabalho de ampliação e reelaboração de conhecimentos, no interior do campo psicanalítico e no intercâmbio com áreas afins. Pauta-se pela escuta psicanalítica, apoiada na transferência, e pelo referencial freudiano em seu rigor conceitual, consistência metodológica e princípios éticos. Esta transmissão é fundamentada, sobretudo pelo estudo dos textos freudianos. 

Sobre o Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae 

Ativo desde 1985 é um espaço de formação, interlocução, produção de pesquisas e publicações dentro do movimento psicanalítico, através do exercício fecundo da transmissão de múltiplas experiências de trabalho clínico, de eventos públicos e de produção editorial, assim como do contato e intercâmbio com outros analistas, grupos, instituições e espaços psicanalíticos ou ligados à psicanálise. 

Para mais informações: www.sedes.org.br/Departamentos/Psicanalise 


Sobre a Roda de Psicanálise: teoria, clínica e cultura 

É um espaço de interlocução e construção do pensamento psicanalítico com seus pares, na medida em que se compreende a formação em psicanálise como um processo contínuo e permanente. 

Observações: 

1) A formação não funcionará com menos de 80% de totalidade das vagas oferecidas. 

2) Os candidatos à formação serão submetidos a um processo de seleção e somente poderão se matricular aqueles que forem aprovados. 

3) Os alunos da formação, para obter o certificado de conclusão, deverão: 
  • Frequentar no mínimo 80% das aulas; 
  • Apresentar trabalho de conclusão proposto pelo corpo docente; 
  • Cumprir as exigências propostas pela formação. 
4) O preço da anuidade está sujeito a reajustes. 

Informações: 

Coordenadoras: 
Aline Sanches 
Isabelle Maurutto Schoffen 
Samara Megume Rodrigues 

E-mail: rodadepsicanalise@gmail.com 

Contato: (44) 9834-4281 /(44) 9938-3542 

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

INCONSCIENTE E SEXUALIDADE: Desafio Teórico-Clínico na Atualidade

A Roda de Psicanálise convida para o Evento:

INCONSCIENTE E SEXUALIDADE: Desafio Teórico-Clínico na Atualidade 




Mesas:
O INCONSCIENTE AINDA É SEXUAL?
Marli Ciriaco Vianna
É psicóloga, psicanalista, membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae. Professora do curso: Psicopatologia Psicanalítica e Clinica Contemporânea do Depto de Psicanalise.

O JOGO DO ENCAIXE: ANTÍTESE OU COMPLEMENTO AO JOGO DO CARRETEL? Uma tentativa de compreender o Édipo nas relações adesivas
Nanci de Oliveira Lima
É psicanalista, Especialista em Dependências Químicas e Não Químicas pelo Proad – da Unifesp. Membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae. Participa do Projeto de Investigação e Intervenção na Clinica das Anorexias e Bulimias e do GTEP, ambos deste Departamento.

Data: 04/11
Horário: às 19h30 
Local: Auditório da PUC
Investimento: 
Profissionais
60,00 (até dia 02/11)
70,00 (a partir do dia 03/11)
Estudantes:
40,00 (até dia 02/11)
50,00 (a partir do dia 03/11)

*participantes da Formação pela Roda de Psicanálise e estudantes de Graduação. 


Inscrições antecipadas via depósito bancário
Banco: 

SICOOB. Cooperativa: 4340
Conta: 82.475-5.
Samara Megume Rodrigues 
CPF: 047.737.739-44
Enviar o nome completo, profissão/atuação ou instituição de ensino para o endereço de email: rodadepsicanalise@gmail.com


segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Grupo de Estudos - Os Artigos Técnicos de Freud

A Roda de Psicanálise oferece grupo de estudos sobre a técnica analítica:


Os “Artigos sobre técnica” são compostos de seis escritos de Freud entre os anos de 1911 a 1915. Trata-se de uma detalhada exposição e problematização da técnica psicanalítica. O objetivo deste grupo de estudos é fazer uma leitura atenta e cuidadosa desses trabalhos e promover reflexões críticas acerca da interdependência entre o arcabouço teórico da psicanálise e a sua prática. A psicanálise é um campo de saber, uma psicopatologia, um método de investigação dos fenômenos psíquicos e, fundamentalmente, uma prática de intervenção clínica. Entendemos que o diálogo entre esses elementos é necessário para o fazer e a escuta do analista.
 A psicanálise propõe um encontro entre duas pessoas, atravessado pelos fenômenos inconscientes, a transferência e a resistência. Freud elaborou certo número de regras destinadas a tornar esse encontro possível. Longe de impor normas rígidas ele fez orientações e problematizações sobre a conduta do analista e a condução da análise.  Tais problemas constituem um centro de controvérsias até os dias atuais, carregando o peso da interrogação sobre os laços recíprocos entre teoria e prática. Buscaremos na leitura dos “Artigos sobre Técnica” adentrar esse campo de discussão.
 Freud (1913)[1] compara as regras da psicanálise ao jogo de xadrez, assim ele diz:

Quem desejar aprender nos livros o nobre jogo de xadrez logo descobrirá que somente as aberturas e os finais permitem uma descrição sistemática exaustiva, enquanto a infinita variedade de movimentos após a abertura desafia tal descrição. Apenas o estudo diligente de partidas dos mestres pode preencher a lacuna na instrução. As regras que podemos oferecer para o exercício do tratamento psicanalítico são sujeitas as limitações parecidas (FREUD, 1913, p.164)

Freud (1913) contrapõe a estabilidade da regra à imprevisibilidade das movimentações inconscientes. Neste jogo, em que convivem os paradoxos, torna-se essencial construir um estilo singular de trabalho.  No entanto, essa construção só é possível pelo estudo dedicado aos fundamentos dos mestres. No percurso de nossa leitura e discussão em grupo buscaremos os pilares de sustentação da escuta e da intervenção psicanalítica.


Roteiro de leituras
- O uso da interpretação dos sonhos na Psicanálise (1911)
- A Dinâmica da Transferência (1912)
- Recomendações ao médico que pratica a Psicanálise (1912)
- O início do Tratamento (1913)
- Observações sobre o Amor de Transferência (1915)


PÚBLICO: Profissionais da área psi e estudantes de Psicologia 
HORÁRIO: Sexta-feira (das 15h às 17h).
FREQUÊNCIA: Quizenal
INVESTIMENTO: R$150,00 (por mês, 2 encontros)
INSCRIÇÃO: Realizar depósito em conta bancária, com o valor da primeira mensalidade. Enviar o nome completo, profissão/atuação ou instituição de ensino para o endereço de email: rodadepsicanalise@gmail.com 
Conta para depósito: Banco: SICOOB. Agência: 4340 Conta: 82.475-5
INFORMAÇÕES E DÚVIDAS: (44) 9938 35 42 e (44) 9118 6069


*Samara Megume Rodrigues (CRP – 08/18324) é Psicóloga pela Universidade Estadual de Maringá. Mestre em Psicologia (Epistemologia e Práxis em psicologia pela mesma instituição). Trabalha em consultório particular, realizando atendimento em psicanálise. É coordenadora e idealizadora da Roda de Psicanálise.
**Isabelle Maurutto Schoffen (CRP -08/17708) é Psicóloga pela Universidade Estadual de Maringá. Mestre em Psicologia (Epistemologia e Práxis em psicologia pela mesma instituição). Atua na área da Saúde Pública e em consultório particular. É coordenadora e idealizadora da Roda de Psicanálise







[1] FREUD, S (1913). O início do Tratamento, in: Obras Completas vol.10.  São Paulo: Companhia das Letras, 2010.